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Voto distrital misto divide Congresso e une PT e PL

Gigantes partidários resistem à mudança no sistema eleitoral defendida por caciques para barrar o avanço de influenciadores e puxadores de votos.

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Sonho do Centrão, voto distrital enfrenta oposição no PT e no PL

O voto distrital misto para as eleições à Câmara dos Deputados, que é o grande sonho dos caciques do Centrão, encontrou forte resistência de dois dos maiores partidos do Congresso Nacional: o PL e a federação formada por PT, PCdoB e PV.

Resistência de gigantes partidários

De acordo com informações de bastidores, tanto a legenda do ex-presidente Jair Bolsonaro quanto a base aliada do governo Lula tendem a se unir para barrar a mudança no sistema eleitoral. O motivo principal para essa rejeição conjunta é a avaliação de que o modelo atual favorece o crescimento orgânico de suas próprias bancadas federais.

Lideranças petistas argumentam que a sigla possui forte coerência ideológica e continuará elegendo grandes bancadas se o sistema proporcional for mantido. Por outro lado, embora abrigue parlamentares simpáticos à novidade, o PL é atualmente o maior beneficiado pela proporcionalidade, tendo emplacado os dois deputados federais mais votados da história em 2026: Nikolas Ferreira, por Minas Gerais, e Lucas Pavanato, por São Paulo, ambos com votações superiores a 3 milhões de eleitores.

A estratégia e a articulação do Centrão

O interesse do Centrão na alteração surgiu após o grupo sofrer perdas expressivas de cadeiras e registrar votações aquém das expectativas no pleito. A avaliação nos bastidores é que a adoção do voto distrital serviria para conter o impacto de candidaturas de influenciadores digitais e políticos de direita que conquistaram milhões de votos de forma pulverizada.

A articulação ganhou força durante um almoço realizado na quarta-feira (14/10), quando presidentes de legendas do bloco apelaram ao presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta. Na ocasião, as defesas mais enfáticas da mudança partiram de Gilberto Kassab, comandante do PSD, e de Aécio Neves, dirigente do PSDB.

Como funcionaria o modelo em debate

Pela proposta defendida pelo Centrão, o formato de escolha dos parlamentares seria dividido em duas frentes distintas. Metade das vagas na Câmara seria preenchida por deputados federais eleitos diretamente em seus respectivos distritos, enquanto a outra metade seguiria a lógica do sistema proporcional tradicional.

Apesar da investida para transformar as regras antes das próximas eleições gerais em 2030, petistas avaliam que o bloco precisará se alinhar formalmente a forças locais caso queira recuperar relevância política, relembrando ainda que a redução do número de legendas registradas no país sempre esteve entre as metas de siglas como Republicanos, PP e União Brasil.

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