A população de Cuba está em alerta e mobilizada para defender o território nacional diante das recentes ameaças de intervenção militar vindas dos Estados Unidos sob a gestão de Donald Trump.
A escalada de tensão com os EUA
O embaixador de Cuba no Brasil, Victor Manuel Cairo Palomo, destacou que o governo norte-americano tem intensificado o discurso belicoso contra a ilha caribenha. A mudança de cenário ocorreu após a operação militar na Venezuela que culminou na captura do então presidente Nicolás Maduro. Desde então, Washington cortou o envio de petróleo venezuelano para Havana e enviou um porta-aviões nuclear para águas próximas à costa cubana, com Trump declarando que teria a grande honra de tomar o país.
“Cuba não pode ignorar que todos os dias, todas as semanas, o secretário de Estado estão assumidos, ou o presidente Trump ou qualquer outra figura militar nos Estados Unidos fala com a presença ou fala com a imprensa para soltar alguma ideia de uma possível ação militar contra Cuba”, afirmou o diplomata.
Impacto do embargo e crise energética
Historicamente isolada por um embargo econômico aplicado desde 1962, a ilha sofre com a falta de modernização e a dependência de combustíveis fósseis importados. Com o cerco financeiro e comercial apertado pela administração norte-americana, o sistema elétrico nacional entrou em colapso, resultando em apagões prolongados que afetam a vida cotidiana dos cidadãos.
Estratégia de defesa civil e militar
Para enfrentar o risco iminente de agressão, os moradores seguem a doutrina da Guerra de Todo o Povo, criada nos anos 1980. A estratégia militar estabelece que civis devem atuar lado a lado com as Forças Armadas na proteção do território. A Defesa Civil lançou recentemente o manual Proteger, Resistir, Sobreviver e Vencer, orientando famílias a montarem mochilas de emergência com suprimentos básicos e instruções de atendimento a feridos.
“Se os Estados Unidos agredirem, Cuba terá uma resposta militar da população cubana. E vai ter uma resposta de luta e resistência da população cubana, porque uma população que defende sua soberania, vai defender o seu país”, disse o embaixador cubano em Cuba.
Possibilidade de diálogo diplomático
Apesar do cenário de confronto iminente, o representante diplomático ressaltou que Havana mantém abertura para negociações bilaterais, desde que os diálogos respeitem os limites constitucionais da ilha.
“Eles [EUA] conhecem que nós estamos dispostos a falar sobre temas complexos vinculados a relações bilaterais entre Estados Unidos e Cuba, que são muito complexas. Mas eles também sabem que Cuba não vai falar sobre soberania, nem negociar temas vinculados à soberanias do país, porque a soberania não se negocia.








