O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que os ministros Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Kassio Nunes Marques e André Mendonça possuem envolvimento no escândalo do Banco Master. A declaração ocorreu durante entrevista concedida à TV Globo na última quinta-feira (15/10), em um momento de acirramento das tensões envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF).
Envolvimento de ministros no caso Banco Master
Ao ser questionado sobre a postura de Alexandre de Moraes em relação ao controlador da instituição financeira, Daniel Vorcaro, o chefe do Executivo não poupou críticas aos magistrados. “(Moraes) Era o mais implicado. O Toffoli também tá implicado. O André Mendonça também tá implicado e o Kassio tá implicado. Tá todo mundo implicado”, declarou Lula. O presidente reforçou que o episódio é de alta gravidade e sustentou que todos os envolvidos devem ser investigados.
Tensões políticas e o papel da extrema direita
Sobre o impacto da crise no STF em seu desempenho eleitoral, o presidente negou que o cenário tenha prejudicado sua campanha, embora tenha reconhecido a tentativa de opositores de vincular o governo aos problemas da Corte. Na visão de Lula, o desgaste de Moraes é fruto de uma perseguição política. “Não tenho uma avaliação disso, sinceramente. Obviamente que a extrema direita tenta jogar a Suprema Corte nas minhas costas, porque eles querem caçar o Alexandre Moraes. Não por conta do Banco Master apenas. Eles querem caçar o Alexandre de Moraes porque o Alexandre de Moraes prendeu o pai do Flávio Bolsonaro. Essa que é a questão tem jogo”, afirmou o presidente.
Proposta de reforma no Judiciário
Diante do cenário de instabilidade, Lula defendeu a implementação de mandatos fixos para os ministros do STF, em substituição à regra atual que permite a permanência no cargo até a aposentadoria compulsória, aos 75 anos. O petista anunciou que pretende instituir uma comissão de especialistas e juristas para desenhar uma proposta de reforma do Judiciário a ser enviada ao Congresso Nacional.
A ideia central, segundo o presidente, é utilizar o momento de crise para fortalecer as instituições e estabelecer critérios de conduta mais rígidos. Entre as medidas ventiladas por Lula está a exigência de quarentena para magistrados que deixam cargos públicos antes de migrarem para o setor privado, visando mitigar conflitos de interesse.
Ética nas relações institucionais
Outro ponto de destaque na entrevista foi a crítica severa do presidente à presença de integrantes do Judiciário em eventos privados promovidos por grandes empresários. Para Lula, o estreitamento de laços entre magistrados e figuras com interesses econômicos compromete a lisura das funções públicas. “É importante a gente tirar proveito do que aconteceu para que a gente tente moralizar muitas coisas no país […] e criar um comportamento ético mais adequado. Eu já disse uma vez que quem quiser ser rico não pode ser ministro da Suprema Corte”, declarou.








