A próxima geração do automobilismo está sendo moldada pela inteligência artificial, permitindo simular diferentes cenários da modalidade sem a necessidade de colocar os bólidos nas pistas.
Simulações digitais e economia
Essa transformação ocorre por meio de uma aliança estratégica entre a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) e a Amazon Web Services (AWS). A gigante tecnológica fornece computação em nuvem e IA para testar novas regras e regulamentos no ambiente digital, gerando uma significativa redução de custos na fabricação de peças.
Além de prever especificações técnicas, a tecnologia permite que as equipes trabalhem com dados precisos antes mesmo da construção física dos componentes.
Testes aerodinâmicos virtuais
Projetar os veículos das próximas temporadas é um dos principais focos da colaboração, utilizando simulações avançadas para antecipar padrões e analisar o comportamento aerodinâmico.
“Há uma simulação digital que vai testar como é que o fluxo de ar, por exemplo, se relaciona com o desenho aerodinâmico do carro. Depois, pode fazer ajustes nesse desenho aerodinâmico sem a necessidade de produzir a peça física. A cada ajuste, você roda novamente a simulação e isso faz com que você tenha um resultado sem a necessidade de passar pelo pelo processo físico”, explica a líder de Gestão de Soluções para Clientes da AWS do Brasil, Fernanda Spinardi.
A supervisão da FIA também se beneficia dessas ferramentas para fiscalizar o cumprimento das diretrizes técnicas, prevenindo polêmicas regulatórias como as vistas em temporadas anteriores.
“Eles teriam tempo de processar esses cenários, essas simulações e essas informações pré-temporada, fazer o ajuste de regulamento e e ter uma temporada livre de interferências, tão significativas”, destaca a executiva da AWS.
Volume massivo de dados
Presente na categoria desde 2018, a empresa gerencia uma imensa avalanche de informações de telemetria geradas durante as provas, contando com mais de 300 sensores distribuídos entre os veículos e os circuitos.
O volume coletado atinge 1,1 milhão de pontos por segundo, equiparável à transmissão simultânea de centenas de filmes em streaming. Todo esse acervo histórico, que acumula sete décadas de competições, foi integrado aos novos insights obtidos nas pistas.
“O exemplo da Fórmula 1 é um caso de muito sucesso porque essa disciplina de tratar a camada de dados já acontece há anos. Hoje, vemos a aceleração da adoção de tecnologia de IA muito por conta dessa disciplina que aconteceu nos anos anteriores”, destaca.
Análise preditiva nas pistas
Durante os Grande Prêmios, a inteligência artificial atua na interpretação rápida de dados para otimizar estratégias de equipes, como o momento ideal para paradas nos boxes ou manobras de ultrapassagem.
“A inteligência artificial para fazer censo desses dados e trabalhar não no olhar histórico do que aconteceu, mas trabalhar também um olhar de predição: o que poderia acontecer no futuro com diferentes decisões nessa corrida. Se o piloto tivesse feito uma curva com um pouco mais de de aderência, quanto tempo eu teria ganho e o que teria acontecido como resultado?”, detalha Fernanda Spinardi.
Experiência imersiva para os fãs
Toda essa tecnologia também impacta diretamente a audiência que acompanha as transmissões televisivas, enriquecendo a cobertura com gráficos detalhados e estatísticas em tempo real.
Os espectadores conseguem compreender decisões complexas de estratégia antes mesmo de elas acontecerem na pista, aproximando o público da realidade vivida pelos engenheiros e estrategistas das escuderias.
“Dá a possibilidade de pensar em ser um estrategista de uma equipe de Fórmula 1”, defende Fernanda Spinardi.







