As maiores fabricantes de veículos com operações em solo americano intensificaram a ofensiva no Congresso para impedir a comercialização de carros produzidos na China. A Alliance for Automotive Innovation, que reúne marcas como General Motors, Ford, Stellantis, Toyota e Volkswagen, formalizou um pedido para que um novo projeto de lei seja votado antes do recesso legislativo de dezembro. O objetivo é transformar em lei federal as restrições que atualmente dificultam a entrada desses automóveis no mercado dos Estados Unidos.
A estratégia das montadoras contra a concorrência asiática O lobby das montadoras justifica a medida por dois pilares principais: a salvaguarda de bilhões de dólares aplicados na indústria local e a mitigação de riscos à segurança nacional. As empresas alegam que a vasta conectividade dos veículos modernos, equipados com sensores, câmeras e acesso constante à internet, pode facilitar a espionagem e a coleta de dados sensíveis sobre os trajetos e o comportamento dos motoristas americanos.
Além da pressão política, o governo americano já impõe barreiras comerciais severas, incluindo tarifas superiores a 100% sobre elétricos chineses e regulamentações do Departamento de Comércio que limitam o uso de softwares da China em veículos conectados. Com a nova proposta, as fabricantes pretendem consolidar essas limitações de forma permanente, garantindo que a tecnologia chinesa não encontre brechas para operar em território nacional.
O avanço do projeto no Legislativo O Connected Vehicle Security Act, projeto de lei bipartidário, foi apresentado pelos senadores Bernie Moreno e Elissa Slotkin. A proposta já obteve aprovação em comissão do Senado e conta com apoio expressivo na Câmara dos Representantes. O tempo é o principal inimigo dos defensores do texto, que precisam de celeridade antes do encerramento da sessão legislativa. A urgência é alimentada pelo sucesso das marcas chinesas na Europa, onde foram emplacados mais de 1,1 milhão de veículos fabricados na China nos primeiros oito meses de 2026.
Em contrapartida, o governo chinês nega qualquer ameaça à segurança e classifica as medidas americanas como uma “repressão injustificada” contra suas empresas. Enquanto o cenário geopolítico se acirra no setor automobilístico, o debate sobre a soberania de dados e a proteção industrial promete dominar a agenda econômica até o final do ano.








