Oncoclínicas obtém apoio de credores para aprovar recuperação extrajudicial
Oncoclínicas, rede especializada no tratamento de câncer, obteve adesão de 61,6% dos credores ao plano de recuperação extrajudicial
A Oncoclínicas, um dos maiores grupos de tratamento de câncer da América Latina, conseguiu adesão suficiente de credores para avançar com seu plano de recuperação extrajudicial, que envolve cerca de R$ 5,7 bilhões em dívidas. A empresa informou nesta sexta-feira (30/10) que obteve o apoio de titulares de créditos que somam mais de R$ 3,5 bilhões, o equivalente a 61,6% do total abrangido pela proposta.
O percentual supera o mínimo de 50% exigido pela Lei de Recuperação Judicial e Falências (Lei nº 11.101/2005) para que o plano possa ser submetido à homologação judicial. O resultado foi comunicado pela empresa em fato relevante enviado ao mercado.
Com o quórum alcançado, a companhia dará continuidade ao pedido de homologação na 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível de São Paulo. A próxima etapa será a publicação de um edital, a partir do qual os credores poderão apresentar eventuais questionamentos ao plano.
A versão atualizada da proposta foi apresentada à Justiça nessa quinta-feira (29/10). O documento considera os créditos abrangidos pela recuperação extrajudicial e exclui os débitos entre empresas do próprio grupo.
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do Metrópoles
Entenda crise da Oncoclínicas
Com 144 unidades em mais de 47 regiões, a Oncoclínicas enfrenta dificuldades para manter o tratamento dos pacientes. Um dos motivos apontados é o estrangulamento do caixa promovido pelas operadoras de saúde.
De acordo com a companhia, os planos de saúde se negam a antecipar recebíveis de faturas – que, mais tarde, seriam pagas pelas próprias operadoras – e travam a possibilidade de ceder recebíveis para bancos.
São os recebíveis que, de acordo com a Oncoclínicas, geram caixa para a companhia assegurar o fornecimento de medicamentos em dia. Sem o dinheiro, o tratamento dos pacientes – clientes dos planos de saúde, que, por sua vez, contratam a Oncoclínicas para oferecer o serviço – é prejudicado.
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A situação crítica no atendimento também atinge os planos de saúde, que passaram a ser alvo de reclamações constantes na Agência Nacional de Saúde (ANS).
A companhia enfrenta diversos percalços, sendo que um deles envolve o Banco Master. O banco de Daniel Vorcaro injetou R$ 1 bilhão em uma ação de aumento de capital da companhia. Com a transação, o Master passou a deter 20% da empresa.
Mas os recursos do aumento de capital foram todos aplicados em CDBs do próprio Master. Parte deles não foi paga. Antes da liquidação do Master, a instituição financeira e a Oncoclínicas firmaram um acordo que determinava que a companhia teria direito de retomar as ações de Vorcaro caso o Master não honrasse com os pagamentos.
O Master, no entanto, repassou ao Banco de Brasília (BRB) R$ 90 milhões de ações da Oncoclínicas antes de devolvê-las à empresa de saúde. Os papéis, que estavam em um fundo de Daniel Vorcaro, valiam, à época, R$ 400 milhões. Atualmente, no entanto, os mesmos papéis valem R$ 150 milhões.








