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Governo Lula orienta ministros a tratar fuga de Flávio como caso de Justiça

Estratégia busca afastar Planalto do caso e evitar teses de perseguição política após senador embarcar para os Estados Unidos.

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Planalto orienta ministros a tratar fuga de Flávio como caso de Justiça

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva orientou seus ministros e assessores a manterem discrição e evitarem escalar declarações sobre a saída do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) rumo aos Estados Unidos, logo após o revés nas urnas. A diretriz tem como meta blindar a gestão petista e enquadrar o episódio estritamente no âmbito da Justiça e da Polícia Federal.

Instruções da Secom e críticas presidenciais A ordem partiu do ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, Sidônio Palmeira. A medida foi adotada logo após o chefe do Executivo criticar abertamente a viagem do adversário político durante a celebração de seus 81 anos no Palácio da Alvorada, classificando o ato como inaceitável.

“Eu lamento que ele tenha saído do Brasil, porque ele poderia ficar aqui e provar que as acusações não são verdadeiras. Esse ato de sair do Brasil é vergonhoso. Lamentavelmente, a família Bolsonaro é isso, é lamber botas dos EUA”, declarou Lula na ocasião, acrescentando que a atitude revela culpa. “Quem não deve não teme”, completou.

O petista também elevou o tom contra o parlamentar e rechaçou alegações de ruptura democrática no país. “Não vai dizer lá fora que o Brasil não tem democracia. Se não tivesse, um miliciano não seria candidato a presidente”, afirmou.

Pragmatismo na relação com Washington Apesar do receio de que o caso intensifique os atritos diplomáticos com os Estados Unidos, assessores presidenciais avaliam que o episódio não inviabiliza uma cooperação pragmática com a administração norte-americana. O governo argumenta que o país norte-americano já abrigou outros nomes ligados ao bolsonarismo sem romper os canais oficiais de diálogo com Brasília.

A avaliação estratégica é que pautas prioritárias de comércio e segurança continuam fundamentais, independentemente de divergências ideológicas. No cenário internacional, o líder dos EUA havia questionado o pleito brasileiro sem apresentar provas, embora tenha reiterado simpatia por Lula. O governo brasileiro optou por não escalar o atrito, visto que a vitória foi amplamente validada por governos estrangeiros e pela direita sul-americana.

Descumprimento de ordem e carta nos EUA Flávio deixou o território nacional na noite de terça-feira cruzando a fronteira em direção à Argentina, de onde seguiu em um jato particular rumo a Miami, nos Estados Unidos, acompanhado da esposa e das filhas. Com a viagem, o senador desrespeitou uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que exigia a entrega de seus passaportes em 24 horas.

O parlamentar é investigado por suposta lavagem de dinheiro envolvendo empresas e um negócio de apostas on-line. Já em solo estrangeiro, publicou um manifesto autodeclarando-se presidente, trecho que foi alterado minutos depois para “líder do Brasil”.

O documento traz diversas acusações sem provas de fraudes eleitorais e alega ser alvo de perseguição judicial para impedi-lo politicamente. Negando ter fugido, o senador derrotado com 48,21% dos votos prometeu liderar a oposição à distância. O resultado do pleito, que consagrou Lula com 51,79%, foi chancelado pelo TSE e aceito por lideranças do próprio Partido Liberal.

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