Corpo de Bombeiros simula ataque terrorista com drone no Mané Garrincha.
Treinamento contra ameaças químicas reuniu forças de quatro estados e contou com 200 alunos da rede pública.
A Arena Mané Garrincha foi palco, na manhã desta quinta-feira (29/10), de um simulado de resposta a emergências e desastres envolvendo produtos perigosos e as chamadas ameaças QBRNE (Química, Biológica, Radiológica, Nuclear e Explosivos). A atividade simulou um cenário de ataque terrorista contra espectadores de uma partida de futebol.
Veja vídeo:
Na dinâmica, um drone lançou uma substância desconhecida sobre a arquibancada, provocando tumulto, contaminação de múltiplas vítimas e a necessidade de acionamento imediato das forças de segurança e resgate. O exercício teve como objetivo unificar os protocolos de atuação dos Corpos de Bombeiros do Distrito Federal, de Goiás, de Mato Grosso e de Mato Grosso do Sul, assegurando uma resposta integrada em cenários de grande porte.
O treinamento foi coordenado pelo Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF) e faz parte da programação da Jornada RESPAD Centro-Oeste 2026, iniciativa fomentada pela Secretaria Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça e Segurança Pública (Senasp/MJSP).
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do Metrópoles DF
O comandante da operação, coronel Ronaldo Lima de Medeiros, destacou a relevância do alinhamento entre as diferentes corporações. “A importância está no sentido de que estamos juntando quatro corporações para fazer o atendimento a um desastre, a uma ocorrência complexa. Sabemos que todas têm seus protocolos e competências operacionais, e queremos fazer com que todos estejam unidos para atuar em uma única resposta. O RESPAD é isso: integração, capacitação e organização”, enfatizou.
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Cronologia da operação e protocolos de contenção
O simulado testou a capacidade de resposta rápida das forças de segurança, a montagem da infraestrutura de emergência e o processo de triagem das vítimas:
- 10h06: Início do exercício simulado nas dependências do estádio, marcado pelo sobrevoo do drone.
- 10h07: Acionamento oficial das equipes de emergência para resposta ao ataque com substâncias perigosas.
- 10h16: Montagem das tendas de descontaminação e entrada de operadores especializados na “zona quente” (área de contaminação).
- 10h21: Solicitação de apoio tático e integração com as corporações de segurança dos demais estados, devido à elevada complexidade do cenário e ao alto fluxo de vítimas.
A operação foi dividida em dois eixos de atuação: no nível superior do estádio, as equipes executaram os procedimentos de descontaminação, atendimento preliminar e triagem das vítimas. Já no setor inferior, foi realizada a evacuação da área e a simulação do resgate a dois acidentes graves ocorridos durante a evacuação, mobilizando os socorristas do CBMDF para o atendimento a múltiplos feridos.
O simulado contou ainda com a participação de representantes do Corpo de Bombeiros do Chile, especialistas em resgate e logística urbana. O chefe da seção de logística da equipe de Busca e Resgate Urbano (USAR) do Chile, Javier Saavedra, ressaltou o intercâmbio técnico e a integração entre as instituições. “Buscamos levar esses conhecimentos ao nosso país. A relação entre Chile e Brasil historicamente é muito boa. Na nossa instituição, há uma irmandade que ultrapassa fronteiras”, destacou o bombeiro chileno.
Chileno, o bombeiro especialista em telecomunicações Carlos Oporto reforçou a importância do trabalho humanitário conjunto. “Estamos muito contentes em poder compartilhar experiências na área de logística e de telecomunicações. Pudemos alinhar ideias sobre comunicação via rádio, compartilhando conhecimento técnico e fortalecendo laços de cooperação no resgate”, pontuou.
O secretário executivo de Segurança Pública do DF, Alexandre Patury, lembrou que situações de emergência exigem integração que ultrapasse as divisas territoriais. “O desastre não respeita fronteira. Muitas vezes um evento começa aqui e vai para Goiás, ou vice-versa. Essa união é fundamental, inclusive com a presença internacional do Chile para essa troca de experiências”, afirmou.
Patury apontou também que o treinamento no estádio serve como preparação estratégica para a agenda de grandes eventos internacionais que a capital federal receberá nos próximos anos. “Nenhum incêndio ou desastre começa grande. Se a gente se antecipar e souber como atuar antes, é muito melhor. Lembrando que teremos jogos da Copa do Mundo Feminina aqui neste estádio, e treinar desde já é fundamental para todos nós”, concluiu.
Cerca de 200 estudantes da rede pública de ensino do DF participaram do exercício interpretando as vítimas e vivenciando a dinâmica de evacuação e atendimento de emergência. Para a aluna Vitória Lopes, do Centro Educacional (CED) 01 do Itapoã, escola da rede pública gerida no modelo cívico-militar (CCM-DF), a experiência trouxe um aprendizado inédito. “É uma simulação extremamente necessária para que os jovens saibam como agir em situações extremas que coloquem a vida em risco. Foi uma vivência muito enriquecedora”, avaliou a estudante.




































