Cinco pessoas investigadas por movimentar cerca de R$ 10 milhões por meio de falsas campanhas de doação foram presas nesta quarta-feira (28/10), durante a Operação Cáritas, deflagrada por policiais civis da 16ª Delegacia de Polícia (Planaltina). O golpe contava ainda com vídeos falsos feitos com deepfake com imagens de personalidades públicas, como o cantor Gusttavo Lima e os padre Marcelo Rossi e Fábio de Melo.
Operação policial cumpre mandados em cinco estados
A operação foi realizada simultaneamente no Distrito Federal e nos estados de Goiás, Minas Gerais, Santa Catarina e São Paulo. Ao todo, seis investigados são alvos de mandados de prisão preventiva, além de ordens de busca e apreensão e medidas judiciais para bloqueio de bens e ativos financeiros.
Até o momento, cinco suspeitos foram presos: dois em Planaltina (DF), um em Planaltina de Goiás, um em Uberlândia (MG) e um em Joinville (SC). As equipes policiais continuam as diligências para cumprir as demais determinações judiciais. Durante a ação, também foram apreendidos veículos de luxo e identificados ativos em criptomoedas avaliados em aproximadamente US$ 400 mil, o equivalente a R$ 2,14 milhões.
Falsas campanhas exploravam solidariedade
Segundo as investigações, o grupo mantinha uma estrutura criminosa organizada e tecnologicamente sofisticada, especializada na criação e divulgação de páginas falsas de arrecadação de donativos. As campanhas utilizavam imagens de idosos, crianças e pessoas com doenças graves para sensibilizar o público e induzir internautas a realizar transferências financeiras.
Para ampliar o alcance das fraudes, os investigados recorriam a ferramentas de inteligência artificial, incluindo a tecnologia conhecida como deepfake, para produzir vídeos falsos com imagens de personalidades públicas, como o cantor Gusttavo Lima, o padre Marcelo Rossi e o padre Fábio de Melo. Também eram utilizadas representações religiosas, inclusive de Jesus Cristo.
Empresa recebeu quase R$ 10 milhões em 45 dias
A movimentação financeira identificada pelos investigadores chamou a atenção pela dimensão. Entre 13 de outubro e 26 de novembro de 2025, uma única empresa vinculada ao grupo recebeu 215.575 transações financeiras, que somaram R$ 9.839.087,73, segundo a apuração policial.
Os pagamentos eram, em sua maioria, de pequenos valores, especialmente R$ 30 e R$ 50. Para os investigadores, esse padrão pode indicar um número expressivo de vítimas em todo o país, embora cada transação não corresponda necessariamente a uma pessoa diferente. A análise de contas eletrônicas revelou mais de 230 GB de dados armazenados, incluindo vídeos, imagens, roteiros e códigos de programação.
Crimes e próximos passos da investigação
A PCDF segue apurando o caso para identificar outras possíveis vítimas, rastrear os recursos financeiros, esclarecer a participação individual dos investigados e verificar a existência de outras ramificações do grupo.
Os suspeitos poderão responder, conforme a participação de cada um e as provas reunidas, pelos crimes de estelionato eletrônico, organização criminosa e lavagem de dinheiro, sem prejuízo da apuração de outras possíveis infrações penais.








