O Tribunal do Júri de Soledade, no norte do Rio Grande do Sul, proferiu na noite desta sexta-feira (23/10) a condenação de quatro homens envolvidos no assassinato de Paula Chaiane Perin Portes. A jovem, que tinha 18 anos na época do crime em 2020, foi morta por asfixia após ter presenciado uma agressão. O veredito, anunciado após quatro dias de sessões na Câmara de Vereadores, estabeleceu penas que totalizam 60 anos e quatro meses de reclusão, com o juiz determinando o início imediato do cumprimento em regime fechado.
Detalhamento das penas e o julgamento Dionatan Portella da Silva recebeu a maior sentença, totalizando 21 anos, sendo 19 pelo homicídio e dois pela ocultação de cadáver. Micael Willian Rossi Ortiz foi condenado a 20 anos, enquanto Gesriel da Cunha Wedy pegou dez anos e João Albino Abegg dos Santos foi sentenciado a nove anos e quatro meses. Dois dos envolvidos já estavam detidos, enquanto os demais foram presos diretamente no plenário após a leitura da decisão judicial.
Contexto do crime e motivação O desaparecimento de Paula ocorreu em 10 de junho de 2020, logo após ela se dirigir a uma residência no bairro Fontes, em Soledade. O corpo da vítima foi localizado apenas em 16 de agosto daquele ano, em uma área rural na localidade de Rincão do Bugre, após dois meses de buscas. Segundo a denúncia do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), o crime foi motivado por vingança, pois a jovem poderia expor informações sobre agressões cometidas por um dos réus contra uma ex-companheira.
Aspectos jurídicos e tramitação Os quatro réus foram julgados por homicídio qualificado, sob as qualificadoras de asfixia, dissimulação e utilização de recurso que dificultou a defesa da vítima. Durante os quatro dias de julgamento, os acusados negaram qualquer participação no episódio, enquanto suas defesas contestaram as provas apresentadas e defenderam a inocência dos envolvidos. O juiz José Pedro Guimarães foi o responsável por determinar a execução imediata das penas, embora caiba recurso contra a decisão. O processo, que se arrastava por mais de seis anos, enfrentou diversos adiamentos, incluindo uma suspensão pelo Superior Tribunal de Justiça em abril de 2026 antes de chegar ao seu desfecho.








