O Sindicato das Indústrias Minerais do Estado do Pará (Simineral) apresentou, em 19 de outubro, a Carta Santarém, primeiro relatório ESG da mineração paraense. Com o título Relatório ESG 2026: Retrato da Mineração na Amazônia, a publicação reúne indicadores ambientais, sociais e de governança de dez empresas associadas, com dados referentes a 2025. Entre os principais resultados, o documento aponta cerca de R$ 2 bilhões em investimentos sociais realizados pelas empresas participantes ao longo do período.
A iniciativa estabelece uma linha de base para acompanhar a evolução das práticas do setor mineral no Pará. A proposta é reunir informações de maneira sistemática, permitindo identificar avanços, desafios e oportunidades de melhoria nas áreas ambiental, social e de governança.
A Carta Santarém foi desenvolvida a partir do III Congresso Técnico do Simineral, realizado em Santarém, em 2025. O documento é resultado do diálogo entre empresas de mineração, representantes do poder público, instituições e especialistas. Segundo a entidade, a publicação apresenta, pela primeira vez, uma visão integrada desses indicadores, com dados comparáveis sobre as operações minerárias no estado.
Para o presidente executivo do Simineral, Emerson Rocha, o relatório representa um avanço na transparência e na prestação de contas à sociedade.
“A Carta Santarém expressa um compromisso coletivo com uma mineração cada vez mais transparente e responsável. Ao reunir esses indicadores, damos à sociedade uma base concreta para acompanhar nossas práticas, compreender os avanços e conhecer os desafios que ainda precisamos enfrentar”, afirma.
O presidente do Conselho Diretor do Simineral, Anderson Baranov, também destaca o caráter inédito do levantamento. Para ele, a competitividade do setor mineral está diretamente relacionada à capacidade de conciliar a produção com a responsabilidade socioambiental, a inovação e a geração de valor para a sociedade.
Investimentos sociais chegam a R$ 2 bilhões
Os investimentos sociais realizados pelas dez empresas participantes somaram aproximadamente R$ 2 bilhões em 2025. Desse total, cerca de R$ 213 milhões correspondem a investimentos obrigatórios, enquanto mais de R$ 1,7 bilhão foram destinados a iniciativas voluntárias.
De acordo com os dados apresentados, os recursos voluntários superaram em mais de oito vezes o volume dos investimentos obrigatórios. O resultado evidencia a participação de iniciativas que vão além das exigências regulatórias, segundo o levantamento.
Entre as áreas contempladas estão saúde, educação, geração de renda, infraestrutura pública, qualificação profissional e desenvolvimento comunitário. Os investimentos informados incluem R$ 158,8 milhões destinados à saúde, R$ 43,8 milhões à educação e R$ 63,9 milhões à geração de renda.
O relatório também apresenta indicadores relacionados à participação de trabalhadores e fornecedores locais na cadeia produtiva da mineração. Aproximadamente 72% da mão de obra própria e terceirizada das empresas associadas foi contratada no Pará. Além disso, cerca de metade dos gastos com fornecedores foi direcionada a empresas do estado.
Relatório apresenta indicadores ambientais
No eixo ambiental, a Carta Santarém aponta que, para cada hectare com intervenção direta da atividade mineral, as empresas mantêm cerca de dez hectares protegidos, conservados ou sob monitoramento.
Outro indicador apresentado é o reaproveitamento de recursos hídricos. Segundo o documento, a taxa média de reuso de água nas operações chega a 75%. Na área de energia, aproximadamente 85% da eletricidade consumida pelas empresas participantes é proveniente de fontes renováveis.
Os dados integram o conjunto de indicadores utilizados para apresentar o desempenho ambiental das operações minerárias e permitir o acompanhamento de sua evolução nas próximas edições do relatório.
Índice de acidentes fica abaixo da média nacional
Na área de segurança do trabalho, a taxa de frequência de acidentes com afastamento registrada pelas empresas associadas foi de 0,73 por milhão de horas trabalhadas.
Conforme a publicação, o índice equivale à metade da média do setor mineral brasileiro apurada pelo Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram). O indicador integra o levantamento sobre as práticas de segurança adotadas nas operações das empresas participantes.
Metodologia reúne dados corporativos e referências internacionais
A elaboração da Carta Santarém teve como base informações fornecidas voluntariamente pelas empresas participantes, complementadas por bases públicas e documentos corporativos.
Os indicadores seguem referências internacionais utilizadas na área de sustentabilidade e responsabilidade corporativa, entre elas GRI, IFC, ICMM e GHG Protocol. A compilação e a análise das informações foram realizadas pelo próprio Simineral, sem auditoria por parte da entidade.
Essa característica integra a metodologia apresentada no documento e deve ser considerada na interpretação dos resultados, que refletem as informações reunidas para o ano-base de 2025.
Próximas edições devem acompanhar evolução do setor
Com a publicação da Carta Santarém, o Simineral pretende ampliar o acesso a informações sobre a mineração industrial no Pará e fortalecer uma agenda de transparência, responsabilidade e melhoria contínua nos territórios amazônicos.
O relatório inaugura um ciclo anual de divulgação de indicadores ESG do setor mineral paraense. A próxima edição, com dados referentes a 2026, está prevista no roadmap ESG do sindicato.
A proposta é que a continuidade do levantamento permita acompanhar a evolução dos indicadores ao longo dos anos, contribuindo para o debate sobre os impactos ambientais, sociais e econômicos da mineração no estado.








