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O futuro dos parques aquáticos também passa pela profissionalização das vendas

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O futuro dos parques aquáticos também passa pela profissionalização das vendas

Por Valmir Ferreira

O futuro dos parques aquáticos não será definido apenas pelo tamanho das piscinas, pela tecnologia dos equipamentos ou pela grandiosidade das atrações. Em um mercado cada vez mais competitivo, há um fator que pode determinar o sucesso de um empreendimento: a capacidade de transformar oportunidades comerciais em relacionamentos duradouros e resultados sustentáveis.

Durante muito tempo, o setor concentrou sua atenção na infraestrutura, na localização e no potencial de visitação. Esses elementos continuam essenciais, mas já não bastam. A profissionalização das vendas tornou-se uma questão estratégica, especialmente para empreendimentos que comercializam títulos, passaportes e direitos de uso.

Nesse modelo de negócio, o consumidor não compra apenas momentos de lazer. Ele assume um compromisso financeiro com base na expectativa de experiências futuras. Avalia os benefícios, as condições de pagamento, as regras de utilização e, sobretudo, a confiança que deposita no projeto.

Por isso, vender exige muito mais do que apenas apresentar vantagens ou oferecer descontos. É necessário compreender as necessidades do cliente, transmitir informações claras e construir credibilidade desde o primeiro contato.

O desafio não é apenas vender mais, mas vender melhor.
Um dos equívocos mais comuns na gestão comercial é acreditar que aumentar os investimentos em publicidade e gerar mais contatos significa, necessariamente, ampliar as vendas. Entre despertar o interesse de um potencial cliente e concretizar um negócio existe uma jornada que precisa ser acompanhada com método e disciplina.

Quantas oportunidades deixam de avançar por não receberem atendimento adequado? Quantas negociações são perdidas simplesmente por falta de um processo estruturado?

A resposta está na profissionalização da operação comercial. Ferramentas de gestão de relacionamento com clientes, conhecidas como CRM, permitem acompanhar cada etapa dessa jornada. Mas a tecnologia, isoladamente, não resolve o problema. Sem treinamento, liderança e processos bem definidos, ela apenas transfere a desorganização para o ambiente digital.

Na DSBRAVE Gestão de Parques, defendemos que uma estrutura comercial eficiente deve integrar marketing, tecnologia, capacitação profissional e análise permanente de resultados. O gestor precisa compreender não apenas quanto sua equipe vende, mas também por que vende, onde perde oportunidades e o que pode ser aperfeiçoado.

Essa discussão ganha ainda mais relevância às vésperas da IAAPA Expo 2026, em Orlando, nos Estados Unidos. Considerado um dos mais importantes encontros internacionais da indústria de parques e atrações, o evento reúne empresários, executivos e especialistas para discutir inovação, modelos de negócio, tecnologia e o futuro do entretenimento.

Participar de encontros dessa dimensão não significa apenas conhecer novos equipamentos ou atrações. Significa compreender como o mercado internacional está evoluindo e identificar práticas que contribuam para o desenvolvimento dos empreendimentos brasileiros. O intercâmbio de conhecimento, a atualização profissional e o contato com diferentes modelos de gestão são fundamentais para elevar a competitividade do setor.

Essa visão é especialmente importante nos projetos que iniciam a comercialização antes da inauguração. Nesses casos, a transparência quanto ao estágio das obras, aos compromissos contratuais e às condições futuras de utilização é indispensável. A promessa feita ao consumidor precisa estar alinhada à capacidade real de entrega do empreendimento.

Também é necessário compreender que a assinatura de um contrato não representa o fim da venda. Representa o início de um relacionamento. Atendimento, pós-venda e cumprimento dos compromissos assumidos são fundamentais para fortalecer a reputação do parque e estimular novas oportunidades.

O setor brasileiro de parques e atrações tem diante de si importantes oportunidades de crescimento. Entretanto, os empreendimentos mais preparados serão aqueles capazes de transformar conhecimento, inovação e boas práticas comerciais em resultados concretos.

A IAAPA reforça justamente a importância de olhar para além das fronteiras, aprender com experiências internacionais e investir continuamente na evolução dos negócios.

Afinal, piscinas e atrações podem atrair a atenção do público. Mas são a confiança, a qualidade da gestão e a capacidade de cumprir promessas que sustentam um empreendimento ao longo do tempo.

Sobre o autor

Valmir Cordeiro Ferreira é sócio-fundador e diretor de Gestão Estratégica da DSBRAVE Gestão de Parques. Com mais de duas décadas de experiência nos setores de turismo, lazer e entretenimento, atuou como CEO e diretor executivo de importantes empreendimentos brasileiros. Possui MBA em Finanças pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e experiência em gestão empresarial, desenvolvimento comercial, multipropriedade e direitos de uso.

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