Cortar gastos com energia, diminuir o desperdício de insumos e selecionar matérias-primas ecologicamente corretas parecem tarefas puramente burocráticas. No entanto, essas decisões logo esbarram na rotina dos colaboradores. É justamente quando as diretrizes precisam ser aplicadas pelo atendimento, pelas compras e pelo setor operacional que a sustentabilidade corporativa se transforma, inevitavelmente, em um desafio de gestão de pessoas.
O peso das novas exigências climáticas Essa cobrança por adaptação ganhou força em dados divulgados em 2025 pelo SME Climate Hub. De acordo com o levantamento internacional realizado com 471 pequenas e médias empresas espalhadas por 53 nações, 61% dos negócios mudaram de postura motivados pelos desejos do consumidor, enquanto 58% enxergam a pauta ambiental como um diferencial de mercado. Embora o estudo retrate uma comunidade já engajada, ele escancara as pressões que chegam diariamente aos gestores.
Preparando as equipes para a transição verde Para Sarah Dourado, administradora e mestre em Meio Ambiente e Desenvolvimento Regional, atender a essas exigências passa obrigatoriamente por preparar os profissionais que colocarão a mão na massa. Sua visão une a responsabilidade ecológica ao desenvolvimento humano, priorizando a comunicação clara, a divisão justa de tarefas e a escuta ativa para entender os obstáculos enfrentados pelos colaboradores.
“Quando uma empresa decide mudar uma prática, precisa investir na capacitação da equipe e além disso, explicar o motivo e ouvir quem vai executar. Às vezes, a orientação parece simples para a gestão, mas quem está na operação encontra uma dificuldade que não foi considerada”, observa.
Desafios na qualificação profissional A necessidade de novas habilidades nas empresas ganha coro em um relatório lançado em 2025 pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O documento alerta que as transições digital e verde exigem competências inéditas, colocando PMEs em desvantagem na disputa por mão de obra qualificada em comparação com as grandes corporações.
Uma simples rotina voltada para a diminuição de perdas exemplifica bem esse cenário. Antes de cobrar metas agressivas, a liderança precisa mapear a origem do desperdício, entender quem lida diretamente com os insumos e avaliar quais mudanças são viáveis, abrindo espaço para que o time colabore com base na vivência diária. Na visão de Sarah, a participação ativa dos funcionários garante que as ordens administrativas façam sentido na prática.
“Quem utiliza um material todos os dias pode perceber um desperdício que não aparece para quem acompanha apenas os números. Abrir espaço para essa informação ajuda a entender o problema antes de escolher a solução”, explica.
Trajetória e bases acadêmicas Esse olhar multidisciplinar foi lapidado ao longo de 21 anos de dedicação à Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso do Sul, com passagens por unidades escolares da capital e do interior, além de atuação na área de folha de pagamento.
Durante três anos, Sarah atuou como secretária escolar e ordenadora de despesas em um centro educacional voltado para pessoas com deficiência auditiva, equilibrando demandas operacionais, financeiras e administrativas. Nessa fase, introduziu iniciativas sustentáveis e preceitos de ESG (Environmental, Social and Governance) na rotina, entendendo a urgência de unir eficiência, responsabilidade socioambiental e excelência no atendimento.
O repertório se completa com uma pós-graduação em Gestão Pública Municipal e o mestrado acadêmico. Sua bagagem científica conta com um estudo focado em resíduos descartados em parques urbanos, apresentado em congresso da área, unindo a agenda verde à conservação de bens públicos.
Inteligência emocional e consultoria estratégica Com a criação do programa Empreenda suas Emoções — voltado ao fomento do autoconhecimento, à tomada de assertiva de decisões e ao empoderamento feminino —, a especialista abriu uma frente focada no fomento humano. É a partir desse cruzamento de saberes que ela estrutura sua consultoria para pequenas e médias empresas, cruzando a gestão das emoções com os pilares da governança, do social e do meio ambiente.
Nesse panorama, decifrar os sentimentos da equipe significa compreender as reações de líderes e subordinados diante de transformações bruscas. Uma dúvida persistente pode escancarar falhas na comunicação oficial, enquanto a resistência pode evidenciar gargalos estruturais na rotina. Em vez de julgamentos precipitados sobre falta de vontade, tais comportamentos demandam leitura contextualizada.
Em suma, a ponte entre o fator humano e a sustentabilidade só gera resultados reais quando desce ao nível prático. Uma meta ecológica precisa virar tarefas palpáveis, suporte adequado de execução e acompanhamento contínuo, sempre com margem para ajustes. É justamente nessa transição delicada entre a teoria da diretoria e o chão de fábrica que repousa o cerne da consultoria de Sarah Dourado.








