Após 10 meses lutando no Leste Europeu, um ex-militar brasileiro que integra as forças da Ucrânia decidiu expor a dura realidade por trás do conflito e desmentir a ilusão de que é possível lucrar facilmente no front.
A decisão de partir para o Leste Europeu
Natural de São Paulo, Denner Lopes tem 25 anos e deixou o Brasil no final de 2025 acompanhado por outros 14 compatriotas para se juntar aos batalhões de assalto ucranianos. Desse grupo inicial, duas pessoas desistiram antes mesmo de completarem a viagem. O jovem relata que a motivação principal esteve longe de ser financeira, impulsionada pelo desejo de ajudar após acompanhar os primeiros anos de hostilidades.
“Nunca foi pelo dinheiro. Eu sabia que iria receber algo por isso, mas provavelmente iria morrer antes mesmo de ver esse dinheiro. Eu fui uma exceção entre muitos brasileiros que infelizmente morreram na guerra”, relembra o ex-militar do Exército Brasileiro em conversa com o Metrópoles.
Contexto dos combatentes estrangeiros no conflito
Iniciada em fevereiro de 2022, a guerra levou o governo ucraniano a estabelecer a Legião Internacional de Defesa Territorial para lidar com a vantagem bélica russa. Os pagamentos para voluntários de fora do país variam entre US$ 550 e US$ 4.800. No fim de 2025, essas unidades foram reestruturadas e absorvidas pelas Forças Armadas oficiais, embora o alistamento de estrangeiros permaneça ativo, assim como as tentativas da Rússia de recrutar combatentes internacionais.
Dados diplomáticos apontam um cenário alarmante: o Ministério das Relações Exteriores contabiliza 40 cidadãos do Brasil mortos e 108 desaparecidos. Desse total, 38 faleceram lutando pela Ucrânia e dois do lado russo, enquanto 98 desaparecimentos ocorreram nas fileiras ucranianas e 10 nas russas.
A atuação arriscada com drones e a situação no Donbass
Diante das expressivas perdas em operações terrestres, Lopes buscou remanejamento após cinco meses para uma unidade de Veículos Aéreos Não Tripulados, tornando-se operador de VANTs na disputada região do Donbass, sob ocupação russa desde 2014. Apesar de parecer uma função protegida, ele destaca que o perigo continua iminente, tendo sofrido ferimentos na perna por estilhaços de um detonador logo em sua estreia nessa modalidade.
“Não venham acreditando em falsas promessas de dinheiro fácil, ou na ilusão de que os operadores de drones ficam longe da linha de frente. Isso não é verdade. Nós atuamos diretamente na linha de frente, e estamos entre os alvos mais visados pelo inimigo”, afirma Lopes ao Metrópoles.
Incertezas diplomáticas e panorama político
Enquanto voluntários e tropas regulares enfrentam o fogo cruzado, o cenário diplomático entre Kiev e Moscou permanece instável. Tentativas recentes de mediação lideradas por enviados dos Estados Unidos e anúncios de trégua para proteger infraestruturas energéticas não têm surtido o efeito desejado, com seguidas quebras no cessar-fogo e impasses que prolongam a crise geopolítica na região.








