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Coronel réu por matar esposa pede sigilo após TV

Defesa aponta exposição vexatória em telejornal e família da soldado se opõe à restrição do processo

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Réu por matar esposa pede sigilo após exposição “vexatória” na TV Globo

O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto protocolou um pedido na Justiça paulista para decretar o sigilo do processo em que responde pelo feminicídio da esposa, a soldado Gisele Alves Santana, morta por um disparo na cabeça em 18 de fevereiro.

Exposição na mídia motiva pedido da defesa A solicitação, apresentada pelo advogado Eugênio Malavasi na noite de terça-feira (13/10), argumenta que a vontade do oficial foi violada durante seu interrogatório realizado no último dia 5, quando manifestou o desejo de não ter sua imagem veiculada. A defesa aponta que o programa Fantástico, da TV Globo, transmitido em 11 de outubro, exibiu gravações do réu mesmo após a recusa formalizada perante a Justiça.

Na petição, o defensor sustenta que a exibição do oficial detido e com uniforme do sistema prisional ocorreu de forma humilhante. O documento também aponta que a atração televisiva preservou a identidade de bombeiros, policiais militares e demais agentes públicos, mas manteve a face do acusado exposta, além de divulgar registros de câmeras corporais, trechos de perícias e o áudio da chamada feita ao Copom no dia do crime. Com base na Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), a defesa requereu a limitação de acesso aos autos.

Posicionamento da família da vítima Em contrapartida, o advogado Miguel Silva declarou que os parentes da soldado Gisele são radicalmente contra a medida solicitada pelo oficial.

“O desconforto do acusado com a repercussão do caso não pode justificar a restrição ao direito da sociedade à informação. A proteção da imagem não deve servir de pretexto para impedir o escrutínio público. Seguiremos cobrando transparência, verdade e justiça por Gisele”, afirmou.

Novas diligências requeridas Além de tentar ocultar os andamentos processuais, o representante legal do réu protocolou outras sete solicitações, incluindo o acesso completo ao conteúdo extraído dos telefones celulares apreendidos. A defesa contesta uma suposta omissão de contexto em conversas de WhatsApp anexadas ao laudo técnico.

Os pedidos também envolvem dados sobre a vivência de uma testemunha de acusação em casos de suicídio, levantamentos estatísticos de óbitos de policiais militares provocados por tiros na região cefálica e a verificação de supostos débitos bancários da vítima citados pelo acusado em seu depoimento. Outro ponto levantado diz respeito à estatura oficial da soldado, que divergiria daquela apontada no laudo pericial, conforme a tese do réu.

Situação da prisão preventiva A movimentação da defesa acontece logo após a manutenção da custódia preventiva de Geraldo Neto, detido desde 18 de março. A magistrada Michelle Porto de Medeiros Cunha Carreiro, responsável pela 5ª Vara do Júri da Capital, entendeu que permanece o perigo de interferência nos testemunhos. A decisão pontuou que o próprio oficial confessou ter tentado falar com uma policial amiga de Gisele para dar sua versão dos fatos, reforçando que testemunhas ainda poderão depor novamente caso o caso vá a júri popular, mantendo o réu encarcerado enquanto o processo caminha para as fases derradeiras.

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