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Megaoperação mira facção que torturava traidores do presídio

Ação coordenada cumpre centenas de ordens judiciais em três estados brasileiros com apoio de quinhentos agentes de segurança.

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Polícia faz operação contra facção que tortura “traidores” no Paraná

Uma ampla ofensiva policial foi deflagrada nesta quarta-feira (14/10) para desarticular uma perigosa organização criminosa responsável por ordenar torturas contra supostos traidores. A ação mobiliza 500 agentes públicos para cumprir 215 ordens judiciais em três estados da federação.

Atuação de dentro dos presídios

As investigações revelaram que os principais comandantes do grupo operavam de dentro do sistema prisional. Eles controlavam o tráfico de drogas, determinavam punições corporais e julgavam detentos que descumpriam as normas internas da facção.

O esquema criminoso começou a ser desvendado a partir de ocorrências de violência extrema e cárcere privado registradas no município de Clevelândia. Os alvos também utilizavam ameaças para cobrar dívidas relacionadas à comercialização de entorpecentes.

Tecnologia e rede de apoio externa

Com o avanço das apurações, a polícia descobriu celulares ilegais dentro de uma unidade prisional no sudoeste paranaense. A delegada da PCPR Alini Simadon pontuou sobre o achado:

“Com os dados obtidos foi possível revelar uma organização criminosa estruturada e sem fronteiras, pois o comando partia de dentro do sistema prisional e as ordens chegavam às ruas de dezenas de cidades do Paraná, de Santa Catarina e de São Paulo.”

Do lado de fora, parentes e colaboradores auxiliavam na dinâmica criminosa, utilizando visitas para introduzir drogas escondidas nos próprios corpos e fazendo a gestão financeira dos valores ilícitos.

Esquema financeiro e lavagem de dinheiro

Para ocultar os lucros obtidos com o tráfico de entorpecentes, o grupo utilizava estratégias para burlar a fiscalização dos órgãos de controle. Sobre esse mecanismo, a delegada explicou:

“Eram realizadas transferências via Pix para contas abertas em nome de terceiros sem ligação com os detentos. Os depósitos eram fracionados e os saques, rápidos, para dificultar o rastreamento.”

Além do uso de contas de ‘laranjas’ e de uma empresa fantasma, a quadrilha mantinha planilhas detalhadas para registrar todas as entradas e saídas de recursos financeiros.

Balanço das ordens judiciais

No total, são cumpridas 95 ordens de prisão e 120 mandados de busca e apreensão. A Justiça também decretou a quebra dos sigilos bancários e telemáticos dos investigados.

A ofensiva ocorre em diversas cidades paranaenses, como Curitiba, Cascavel e Pato Branco, além de municípios em Santa Catarina e São Paulo. A força-tarefa conta com equipes integradas de polícias civis, militares e penais, além do emprego de cães farejadores para localizar materiais ilícitos.

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