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Coronel da PM réu por feminicídio alega inocência na Justiça

Oficial acusado de matar a esposa soldado tenta evitar julgamento mantendo a tese de suicídio

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"Não aguento mais ficar preso", diz coronel réu pelo feminicídio da esposa

O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto prestou seu último depoimento à Justiça comum antes de enfrentar o tribunal pelo assassinato da esposa, a soldado Gisele Alves Santana, de 32 anos. Durante a oitiva, que se estendeu por cerca de oito horas, o oficial da Polícia Militar de São Paulo negou as acusações e reclamou do período em que permaneceu detido.

Detalhes do interrogatório e perda de peso

Visivelmente abatido e 16 quilos mais magro após 202 dias encarcerado no Presídio Militar Romão Gomes, na zona norte da capital paulista, o réu insistiu que a companheira tirou a própria vida. O crime ocorreu em 18 de fevereiro, na sala do apartamento onde o casal residia no centro de São Paulo, resultando na prisão do militar um mês depois. Ele responde criminalmente por feminicídio e fraude processual.

“Para mim todo dia parece um pesadelo em que eu vou acordar e isso não tá acontecendo, não aguento mais ficar preso”, afirmou o oficial ao concluir sua fala.

O militar também declarou: “Eu tô preso há 202 dias. Sem ter cometido crime nenhum, doutora. E assim…eu sempre trabalhei honestamente, desde que eu sou criança. Comecei a trabalhar com 10 anos de idade e nunca cometi um crime”.

Contestação de provas e laudos periciais

Ao longo de seu testemunho na Justiça comum, o oficial questionou a lisura das evidências reunidas pelos investigadores. Chegou a insinuar, inclusive, que as marcas encontradas no pescoço de Gisele teriam sido provocadas pelo advogado da família da vítima, Miguel Silva, nas dependências do necrotério, com o propósito de incriminá-lo.

A tese de que a policial militar teria cometido suicídio começou a ser contestada logo na chegada dos primeiros socorristas ao imóvel localizado no bairro do Brás. O bombeiro Rodrigo Almeida Rodrigues optou por retardar o atendimento de emergência por alguns instantes para registrar imagens da cena com o celular. Com uma trajetória de 15 anos na corporação lidando com ocorrências diversas, ele relatou à Polícia Civil que o cenário divergia completamente de todos os casos anteriores que havia presenciado.

Investigação e dinâmica do crime

Os registros fotográficos capturados pelo socorrista ajudaram a preservar elementos cruciais que colocam em xeque a narrativa sustentada pelo marido. Além disso, análises periciais apontaram a inviabilidade física de que a soldado tenha disparado contra a própria cabeça. Gisele foi socorridos de helicóptero e encaminhada ao Hospital das Clínicas, falecendo aproximadamente quatro horas e meia após ser atingida.

Desde o início das investigações conduzidas pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, o réu sustenta que a vítima achou a arma de fogo dele guardada em cima do guarda-roupa de um quarto destrancado e efetuou o disparo. Segundo o argumento do oficial, o ato teria ocorrido em decorrência do término do relacionamento que ele próprio havia proposto. Contudo, conversas de texto extraídas do celular do casal e anexadas ao processo contradizem frontalmente a versão apresentada pelo tenente-coronel.

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