–:–:–
Conecte-se conosco

Como o bolsonarismo enfraqueceu a bancada evangélica no Congresso

Pesquisa da FGV aponta queda expressiva na representação parlamentar e fragmentação do grupo religioso nos últimos anos.

1 visualizações
Bolsonarismo engoliu bancada evangélica no Congresso, diz historiador

O Congresso Nacional tem registrado uma queda acentuada na representação de políticos ligados à religião nos últimos oito anos. O diagnóstico é do historiador Guilherme Galvão Lopes, pesquisador da Fundação Getúlio Vargas (FGV), que aponta ainda um processo de divisão interna desses parlamentares, com tendência de liderança ligada à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.

Radiografia da bancada evangélica O levantamento construído pelo especialista monitora deputados e senadores desde 1983. A contagem não abrange apenas a filiação religiosa ou a participação na Frente Parlamentar Evangélica, mas sim os parlamentares que utilizam pautas religiosas como eixo central de atuação política.

A pesquisa detalha a guinada ideológica desses políticos ao longo das últimas décadas, que transitaram da base de apoio à esquerda no início do século 21 até o alinhamento com a direita. O marco dessa transição ocorreu com as manifestações de 2013 e a polarização política que se seguiu no país.

Fatores para a retração Após atingir o ápice em 2018 com a eleição de Jair Bolsonaro (PL), o grupo passou a encolher. Para o pesquisador, o movimento político liderado pelo ex-presidente absorveu as bandeiras tradicionais dos evangélicos, reduzindo a autonomia do setor.

“Acabou que o bolsonarismo engole essas pautas e diante da escolha em relação a uma candidatura que tem maior viabilidade em pautar, em impor certas agendas à sociedade e um discurso que se resume ao discurso apenas dentro de um espaço muito restrito de uma igreja vocal, de uma igreja evangélica, o eleitor evangélico que prefere votar na primeira candidatura”, argumenta o historiador.

Desafios eleitorais e fragmentação O estudo também destaca a perda de espaço de denominações históricas, como a Igreja Universal do Reino de Deus e a Igreja Internacional da Graça de Deus. Além disso, fatores como a crise de confiança institucional e o aumento de eleitores sem religião ajudam a explicar a reconfiguração desse eleitorado nas urnas.

Por fim, o especialista ressalta que a incapacidade histórica da esquerda em dialogar com o segmento religioso abriu espaço para que o ultraconservadorismo moldasse o discurso e capturasse os anseios desse eleitorado com maior rapidez.

Mais em Últimas

Ver tudo →