A dinâmica política brasileira atravessa uma transformação profunda, refletindo diretamente na forma como o eleitor acompanha os candidatos. O debate televisivo, antes considerado um rito de passagem imprescindível para qualquer postulante ao poder, perdeu sua relevância central em 2026. O que antes era um encontro inevitável entre nomes como Leonel Brizola, Mário Covas e Luiz Inácio Lula da Silva, hoje se tornou um evento condicionado a estratégias e conveniências.
O declínio do confronto direto
A obrigatoriedade de comparecer aos debates parece ter ficado no passado. Com regras excessivamente burocráticas e a proliferação de candidatos, o formato perdeu o brilho e o impacto que tinha em décadas anteriores. Atualmente, a ausência de figuras políticas nos estúdios esvazia o embate, fazendo com que até os encontros de segundo turno sofram para manter o interesse público. O maior prejudicado, invariavelmente, acaba sendo o país e o cidadão, que perde a oportunidade de ver o cara a cara entre os projetos de governo.
A falta de união entre as emissoras
O cenário é agravado pela falta de articulação entre os canais de TV. Cada rede prioriza seus próprios interesses, dificultando a criação de uma agenda comum. Houve tentativas de mudar esse panorama, como a iniciativa do diretor do SBT, Leandro Cipoloni, que buscou reunir as emissoras para discutir o formato dos debates no segundo turno. No entanto, a tentativa não prosperou. “Ficou na vontade. Sentiu como missão impossível.”
Impasses e desorganização nas campanhas
A indefinição domina os bastidores. O pool formado por SBT, CNN, RedeTV! e Jovem Pan mantém o dia 15 como data para seu debate, mas a confirmação dos candidatos ainda é uma incógnita, especialmente com a concorrência de entrevistas em outros veículos. Nos bastidores, a queixa recorrente entre os profissionais das emissoras é sobre a desorganização das equipes de campanha. Segundo relatos, “das tantas que já tivemos, nunca viram nada igual.”
O crescimento dos canais digitais
Apesar da crise nos debates tradicionais, as emissoras de jornalismo encontram um novo fôlego nos canais FAST. Plataformas integradas a TVs conectadas têm registrado números expressivos. A BandNews FM, por exemplo, atingiu resultados históricos em sua cobertura eleitoral, superando 933 mil usuários únicos e mais de 1,6 milhão de sessões de reprodução.
Bastidores da TV brasileira
Enquanto a política movimenta as redações, o mercado segue em adaptação. No SBT, o executivo Sergio Valente lidera uma curadoria rigorosa sobre novos projetos, analisando mais de uma dezena de formatos para a grade da emissora. Além disso, o canal prepara o “SBTem”, seu novo Upfront, enquanto a Globo aposta em novos conteúdos para o “Fantástico”, com a série “Essa Tal de Adolescência”, apresentada por Poliana Abritta. A indústria agora volta seus olhos para a MIPCOM 2026, em Cannes, onde os principais nomes da televisão nacional se reúnem para discutir o futuro do setor.







