Atenção: a matéria a seguir traz relatos sensíveis de agressão e abuso sexual e pode ocasionar gatilhos sobre estupro; Caso você seja vítima deste tipo de violência, ou conheça alguém que passe ou já passou por isso, procure ajuda e denuncie. Ligue para o 197. Em caso de violência contra a mulher, utilise o 180.
A Justiça de Goiás proferiu uma sentença condenatória contra João Teixeira de Faria, o João de Deus, e o Centro Espírita Dom Inácio de Loyola, localizado em Abadiânia. A decisão, resultado de uma ação do Ministério Público de Goiás (MPGO), determina que tanto o médium quanto a entidade devem arcar com o pagamento de indenizações por danos morais e materiais às vítimas de abusos sexuais praticados no interior do centro.
Definição de danos e reparação coletiva
O magistrado André Luiz Ligório estabeleceu que os valores individuais serão calculados em uma fase posterior, conforme a comprovação dos fatos por cada denunciante. Para que a indenização seja validada, será necessário que as vítimas apresentem documentação e provas que sustentem o ocorrido. “Em cada liquidação, devem ser demonstradas a ocorrência do episódio, a condição de vítima, a vinculação causal com as atividades desenvolvidas e a extensão dos danos materiais, entre outros elementos”, destaca.
Além das reparações individuais, foi aplicada uma condenação de R$ 20 milhões por danos morais coletivos, cujo destino será definido em etapas futuras, priorizando ações em Abadiânia e projetos de combate à violência contra a mulher. A Justiça também manteve o bloqueio da Fazenda Agropastoril Dom Inácio.
Histórico de denúncias e processos
João de Deus enfrenta uma série de acusações que incluem estupro, estupro de vulnerável e violação sexual mediante fraude. O processo em questão contabilizou 67 vítimas identificadas, embora o número total de relatos seja superior. Muitos casos, ocorridos entre 1986 e 2017, não puderam ser processados criminalmente devido à prescrição ou decadência do direito de representação, mas seguem sendo utilizados como base testemunhal sobre o modus operandi do réu.
Trajetória prisional e medidas cautelares
O médium encontra-se no centro de investigações desde dezembro de 2018, quando uma força-tarefa do Ministério Público iniciou a apuração dos casos. Ao longo dos anos, o regime de cumprimento de pena sofreu alterações:
Mudanças no regime de detenção
Em março de 2020, ele obteve o direito à prisão domiciliar devido à pandemia de Covid-19. Contudo, em agosto de 2021, o promotor de Justiça Luciano Miranda Meireles coordenou uma nova ordem de prisão preventiva após denúncias de estupro de vulnerável contra oito mulheres, resultando no retorno de João de Deus ao cárcere em Anápolis.







