O Senado Federal realiza nesta quarta-feira (14/10) a votação da Proposta de Emenda à Constituição que acaba com a jornada de trabalho conhecida como escala 6×1. O senador Flávio Bolsonaro (PL), que surpreendeu ao declarar voto favorável em 13 de outubro, cumprirá agenda de campanha em Porto Alegre no mesmo horário do pleito, estando a dois mil quilômetros de distância do plenário.
Da rejeição inicial ao silêncio estratégico
Quando a gestão federal colocou o tema em evidência em maio — propondo reduzir o limite semanal de 44 para 40 horas sem corte salarial —, Flávio classificou a discussão como eleitoreira e inoportuna. Na ocasião, o parlamentar apresentou uma alternativa do PL baseada no pagamento por hora, o que poderia resultar em vencimentos menores. Meses depois, em 30 de agosto, evitou declarar seu posicionamento em entrevista televisiva e chegou a se queixar da insistência da imprensa durante uma visita à Comissão de Constituição e Justiça, afirmando que queriam “arrancar uma palavra da minha boca”.
As idas e vindas na reta final
Em outubro, o cenário mudou drasticamente com novas críticas à proposta, equiparando-a a promessas vazias, antes de uma guinada repentina. Na manhã do dia 13, após visitar seu pai, o político anunciou sua decisão: “A maioria dos trabalhadores brasileiros querem o fim da 6×1, então vou votar a favor.” Contudo, o apoio veio acompanhado da ressalva de que “quem vai pagar essa conta vai ser o governo”, gerando incerteza econômica. No mesmo dia, aliados revelaram que o senador prometeu a empresários negociar alterações futuras na medida para flexibilizar as regras.
Distância física e histórico profissional
Mesmo com compromissos marcados no Rio Grande do Sul durante o horário da deliberação, a presença e o voto do parlamentar ainda poderão ocorrer de maneira remota, caso o formato da sessão permita votação por celular. Sem registros de emprego formal em regime CLT ao longo de sua trajetória pública desde os 21 anos, a única proximidade do senador com esse modelo de trabalho deu-se como empresário, ao ser sócio de uma franquia de chocolates em um centro comercial.








