O casal Anderson Rodrigues e Andresa Tayna exercia papéis fundamentais dentro da quadrilha focada em subtrair caminhonetes de luxo no Distrito Federal, esquema que ficou conhecido como “Império da Hilux”. A organização foi alvo da Operação Rota 060, deflagrada nesta quinta-feira (8/10) pela Polícia Civil do DF (PCDF), por meio da Coordenação de Repressão aos Crimes Patrimoniais (Corpatri), resultando na prisão de sete integrantes.
Detalhes da liderança e o furto de veículos
Conforme apurado pelas autoridades, o grupo concentrava suas ações criminosas em modelos Toyota Hilux e SW4, contabilizando pelo menos 11 furtos consumados entre julho de 2025 e agosto de 2026. A corporação cumpriu 10 mandados de prisão e 10 de busca e apreensão em diferentes regiões do Distrito Federal e no estado de Goiás.
O delegado Fabio Souza, diretor da Delegacia de Repressão a Roubos e Furtos de Veículos (DRFV), detalhou que o chefe da facção possuía habilidades técnicas específicas para burlar os sistemas de segurança dos automóveis. “Além de chefe do grupo, [Anderson] era quem detinha a expertise e o treinamento técnico para a abertura e a ignição da caminhonete. Era ele o responsável para fazer a articulação com este atravessador em Goiás, que daria o destino final aos veículos”, explicou o delegado.
O papel de Andresa e a estratégia do grupo
Para tentar blindar a companheira e evitar exposição direta, o líder determinava que Andresa ficasse encarregada da retaguarda logística, utilizando seus próprios documentos para alugar automóveis de apoio e emprestando suas contas bancárias para movimentar o capital ilícito. “A companheira dele utilizava os seus dados para fazer a locação dos veículos empregados nesses crimes e também cedia suas contas para recebimento dos pagamentos do lucro com o crime”, pontuou Fabio Souza. Ambos também participavam ativamente da escolha dos veículos que seriam alvos dos crimes.
A investigação avançou significativamente em agosto, quando uma caminhonete levada no Parque Sul foi recuperada e três pessoas foram detidas, incluindo Anderson, que acabou solto posteriormente após audiência de custódia. Com a continuidade dos trabalhos, a polícia mapeou o restante da rede criminosa, que contava com membros especializados na abertura dos carros, locadores de apoio e pessoas encarregadas de manter os automóveis escondidos — prática chamada de “esfriamento” — antes do envio para o estado vizinho.
Destino dos automóveis e enquadramento legal
Os dados levantados indicam que os utilitários eram ocultados temporariamente em pequenas propriedades rurais goianas antes do repasse definitivo. “A gente percebeu nas nossas análises que os valores eram bem abaixo de mercado. Existem situações que a gente estima que eles tenham repassado esses veículos por R$ 20 mil para o atravessador”, afirmou o Fabio Souza.
Por fim, os investigados vão responder judicialmente pelos crimes de organização criminosa, adulteração de sinal identificador de veículo automotor e furto qualificado pelo uso de chave falsa.







