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Foragido, Primo deixa obra faraônica abandonada no interior paulista

Esqueleto de concreto de 6 mil metros quadrados em Catanduva seria a sede do Grupo Itajobi e foi bloqueado pela Justiça.

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Foragido, Primo deixou obra faraônica abandonada no interior de SP

Um enorme esqueleto de concreto com cerca de 6 mil metros quadrados, localizado na zona industrial de Catanduva, no interior de São Paulo, tornou-se o símbolo do império e da derrocada do empresário Mohamad Hussein Mourad, conhecido como Primo. Atualmente considerado foragido, ele é apontado pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) como um dos líderes do esquema investigado na operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto de 2025.

A grandiosa construção que virou ruína De acordo com as investigações da promotoria, o imóvel abandonado serviriá de sede para o Grupo Itajobi, conglomerado que engloba as usinas Itajobi, Carolo e Rio Pardo. Os estabelecimentos foram adquiridos em 2023 por Primo em parceria com Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco. O prédio representaria o auge da organização criminosa, mas acabou bloqueado judicialmente logo na primeira fase da investida policial e nunca teve sua construção finalizada.

O terreno onde a estrutura foi erguida fica a poucos quilômetros de uma delegacia e intrigava moradores locais devido à intensa movimentação de caminhões e operários desde as primeiras horas do dia. O mistério sobre o empreendimento só foi desvendado com a chegada da polícia na data da operação.

Conforme o MPSP, a área foi adquirida por R$ 3,9 milhões em outubro de 2023 através de uma empresa de fachada, cujos registros e administrações foram alterados sucessivamente para ocultar os reais proprietários. Enquanto a escritura constava em nome da RGP Property — posteriormente rebatizada como FL Properties and Investments —, os pedidos de alvará junto à prefeitura eram protocolados em nome da Usina Itajobi.

Impactos econômicos e denúncias formais A derrocada do grupo gerou forte impacto em municípios vizinhos de pequeno porte, como Marapoama e Elisiário, cuja economia é fortemente dependente da atividade sucroenergética. Com o avanço das investigações e o aniversário de um ano da operação, a Usina Itajobi iniciou uma onda de demissões em meio a calotes generalizados em fornecedores de cana-de-açúcar.

Em setembro de 2026, Primo e Beto Louco foram formalmente denunciados pelo MPSP por crimes de lavagem de dinheiro e falsidade ideológica, mantendo-se na condição de foragidos. As autoridades estimam que o grupo tenha movimentado bilhões de reais em fraudes tributárias, ocultação de patrimônio e estelionato, valendo-se de uma estrutura empresarial que, segundo os promotores, lavava recursos para o Primeiro Comando da Capital (PCC).

Posicionamento das defesas A defesa de Mohamad Hussein Mourad declarou: A defesa de Mohamad Mourad esclarece que as recentes veiculações na imprensa sobre suas atividades empresariais contêm narrativas especulativas que não encontram respaldo nos autos do processo. ​A reportagem publicada pelo portal Metrópoles extrapola o próprio objeto da acusação formalizada pelo Ministério Público. Cabe destacar que a denúncia recém-oferecida sequer imputa ao investigado qualquer vínculo com organizações ou facções criminosas — tema sobre o qual a referida matéria insiste em construir ilações infundadas. ​A defesa repudia tentativas de criar um julgamento público antecipado e reforça que todas as atividades empresariais de Mohamed Mourad foram exercidas com estrita regularidade e respaldo documental. A legalidade de suas condutas e sua inocência serão devidamente comprovadas no âmbito do processo judicial.

Por sua vez, a representação de Roberto Augusto Leme da Silva manifestou-se nos seguintes termos: “A defesa do empresário Roberto Leme esclarece que ainda não teve acesso à íntegra das investigações e responderá a todas as acusações no momento processual oportuno. E rejeita a disseminação de informações parciais e incompletas, uma prática que ataca a reputação dos empresários e prejudica sua defesa antes de serem apresentadas as contestações. Por exemplo, é um erro grave tentar estabelecer alguma relação entre o empresário e a facção criminosa PCC. Não há nenhuma evidência que confirme essa falsa afirmação em nenhuma das investigações em curso”.

O representante jurídico da Usina Itajobi também negou veementemente qualquer associação com a facção criminosa, destacando que as especulações prejudicaram severamente a imagem corporativa do empreendimento no setor.

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