Ataques cibernéticos a bancos batem recorde em 2026, aponta BC
Banco Central registrou 99 incidentes até setembro, número 30% superior a 2025. Fraudes financeiras representam quase 70% dos casos
O número de incidentes cibernéticos registrados no sistema financeiro brasileiro atingiu um recorde em 2026, segundo dados divulgados pelo Banco Central (BC) nesta terça-feira (27/10).
Até setembro, foram contabilizadas 99 ocorrências, número que já supera os 76 casos registrados durante todo o ano de 2025.
Os dados constam do Relatório de Estabilidade Financeira (REF), divulgado pela autoridade monetária. Em comparação com o ano passado, o crescimento foi de aproximadamente 30%, mesmo sem considerar os últimos três meses de 2026.
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As fraudes financeiras foram responsáveis pela maior parte das ocorrências. Dos 99 episódios comunicados ao BC neste ano, 68 foram classificados como fraudes, o equivalente a 68,7% do total.
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do Metrópoles
No ano passado, foram contabilizadas 39 fraudes, que representaram cerca de 51% dos incidentes. Isso significa que, em nove meses de 2026, o número de ocorrências dessa natureza já aumentou aproximadamente 74% em relação ao ano anterior.
A autoridade monetária atribui parte do crescimento à digitalização dos serviços financeiros, à maior integração entre instituições e ao aprimoramento dos mecanismos de monitoramento e identificação de ataques.
Sistemas de detecção
Segundo o BC, o fortalecimento dos sistemas de detecção também contribuiu para ampliar o número de episódios identificados e comunicados pelas instituições financeiras.
O relatório aponta que os ataques registrados recentemente demonstram um conhecimento cada vez maior dos criminosos sobre o funcionamento do Sistema Financeiro Nacional (SFN).
Entre as estratégias identificadas estão o acesso indevido a sistemas, a utilização de credenciais legítimas de funcionários e prestadores de serviços e a exploração de falhas em ferramentas responsáveis pela comunicação entre instituições financeiras.
O BC também identificou vulnerabilidades nas chamadas APIs, interfaces tecnológicas que permitem a comunicação e a troca de informações entre sistemas de diferentes empresas.
Essas ferramentas são utilizadas para integrar serviços financeiros, mas falhas em sua configuração e nos mecanismos de autorização podem permitir a execução de transações indevidas.
Outro ponto de atenção envolve empresas terceirizadas responsáveis por fornecer serviços tecnológicos às instituições financeiras. Segundo o BC, problemas de segurança nesses prestadores podem atingir diferentes instituições conectadas à mesma infraestrutura.
Impacto no sistema financeiro
Apesar do aumento das ocorrências, o BC informou que os ataques não comprometeram o funcionamento do SFN.
A autoridade monetária reconheceu, no entanto, que determinados episódios provocaram perdas financeiras relevantes às instituições atingidas. O relatório também destaca que a integração crescente entre bancos, instituições de pagamento e fornecedores de tecnologia pode ampliar os efeitos de falhas de segurança.
Diante desse cenário, o BC informou que continuará acompanhando os incidentes relevantes e desenvolvendo medidas para reforçar a segurança cibernética e a capacidade de resposta das instituições financeiras.








