A ex-Miss Suíça Beatrice Keul afirmou ter sido estuprada por Donald Trump no Hotel Plaza, em Nova York, em novembro de 1993. As informações foram divulgadas nesta segunda-feira (26), por democratas do Comitê Judiciário da Câmara dos Representantes, que examina as supostas ligações do presidente dos Estados Unidos com a rede de tráfico sexual de Jeffrey Epstein (1953 – 2019).
O depoimento apresenta, pela primeira vez, o que teria acontecido. Segundo Beatrice, Trump, Epstein e outras pessoas usaram o concurso “Donald J. Trump American Dream Pageant”, uma competição para jovens mulheres de 16 a 22 anos, como um “campo de caça para explorar jovens mulheres e meninas vulneráveis”.
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Conforme o relato, a ex-Miss Suíça tinha 24 anos e trabalhava como modelo e profissional de serviços financeiros quando foi recrutada pela promotora de eventos Jill Harth para participar do concurso de beleza, em novembro de 1993, em Atlantic City e Nova York.
Durante um almoço com a imprensa no Plaza Hotel, então propriedade de Trump, o republicano teria abordado Keul e prometido ajudá-la a obter um visto e a ingressar na Universidade de Nova York. Epstein teria abordado Beatrice logo em seguida e feito promessas semelhantes, incluindo um convite para uma festa em Mar-a-Lago, em Palm Beach, na Flórida.
Beatrice Keul e Donald Trump no Hotel Plaza durante a final mundial do American Dream em 1993. (Foto: Divulgação/Comitê Judiciário da Câmara dos Representantes)[anuncio]
Ao todo, a conversa durou cerca de 10 minutos. “‘Você sabe que posso cuidar de você. Organizamos muitas festas com Don’”, teria dito o financista. “Epstein, assim como Trump, afirmou que todas as necessidades dela seriam atendidas: ‘Passagens aéreas, hospedagem, você não precisa se preocupar com nada’”, listou um trecho do documento.
Naquele mesmo dia, segundo Keul, um representante de Donald Trump a abordou com um convite para se encontrar com o político em um quarto no andar de cima. Ela argumentou que entrou na suíte do hotel pensando que o presidente iria ajudá-la a progredir na carreira. “[O representante] a conduziu até a suíte, onde, ao entrar, Trump teria agarrado Keul por trás e a estuprado à força. Durante o ato, ele rasgou seu vestido e causou sangramento e hematomas em várias partes do seu corpo”, informou o comitê.
Beatrice descreveu o episódio como “brutal”. Após a suposta agressão sexual, de acordo com a ex-Miss Suíça, Trump a sentou na beira da cama, repetiu suas promessas de providenciar um visto e a admissão na NYU, e a fez prometer que ficaria em silêncio, dizendo: “O show deve continuar”.
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Keul relatou que terminou o concurso “atordoada” e depois voltou para a Suíça, recusando-se a participar de outro evento patrocinado por Trump no Havaí semanas depois. A mulher ainda contou que o republicano ligou para ela posteriormente e, mais uma vez, ofereceu-lhe o visto e a vaga na NYU. Ela, porém, disse que não estava interessada.
O relatório dos democratas do Comitê Judiciário da Câmara cita outros depoimentos que, segundo eles, corroboram suas denúncias, incluindo um processo por agressão sexual movido por Harth contra Trump em 1997. O documento traça paralelos entre as supostas promessas que o presidente dos EUA fez a Keul, além dos relatos de mulheres de que Epstein também usava promessas de educação e oportunidades de carreira para recrutar e controlar vítimas.
Donald Trump e Jeffrey Epstein se conheceram no final da década de 1980, e romperam laços por volta de 2004 (Foto: Getty)[anuncio]
Donald Trump nega acusações de abuso sexual
Em comunicado à revista People, a porta-voz da Casa Branca, Lauren Bis, negou as imputações contra Donald Trump. “Nenhuma dessas alegações é verdadeira. Essa ‘reportagem’ não passa de uma tentativa desesperada de democratas desvairados de distrair os norte-americanos do crescente ímpeto republicano impulsionado pelas conquistas históricas do presidente Trump. O presidente expulsou Jeffrey Epstein de seu clube em Mar-a-Lago porque ele era um crápula, e ele foi completamente exonerado de qualquer coisa relacionada a Epstein”, declarou.
O pronunciamento da Casa Branca surge em meio a denúncias anteriores de abuso sexual contra Trump, incluindo a da escritora E. Jean Carroll. A profissional o acusou de tê-la estuprado em uma loja de departamentos da cidade de Nova York na década de 1990.
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Carroll processou Trump por difamação em 2019 e entrou com um processo separado por agressão e difamação em 2022, com base na Lei de Sobreviventes Adultos de Nova York. Em maio de 2023, um júri civil considerou o político culpado de abuso sexual contra a escritora, uma condenação menor do que estupro, e por depreciá-la.
Após o veredicto, Donald Trump acabou pagando a Carroll US$ 5,6 milhões de indenização. Ele continuou contestando a decisão, mas a Suprema Corte se recusou a reexaminar o caso em agosto. Já em relação às acusações de Keul, o republicano nunca foi preso ou acusado formalmente.








