O presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) paralisou seus compromissos públicos de campanha para se dedicar exclusivamente aos preparativos para o debate da TV Globo, marcado para esta sexta-feira (23/10), que representa o último encontro televisivo antes do segundo turno das eleições 2026.
Estratégia e cobrança por checagem
O petista dedica a quinta-feira (22/10) e parte do dia seguinte a reuniões estratégicas com aliados para ajustar seu desempenho, buscando superar os resultados do primeiro embate contra o senador Flávio Bolsonaro (PL). A equipe de campanha exigiu da emissora a implementação de uma verificação de fatos em tempo real durante o programa. O ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom), Sidônio Palmeira, licenciado do cargo para atuar na campanha, lidera as negociações sobre o formato com a rede de televisão.
A postura firme da equipe ocorre após críticas contundentes à atuação do adversário no último domingo (18/10). Na última quarta-feira (21/10), o coordenador da campanha e presidente do PT, Edinho Silva, criticou duramente o oponente: “O debate não pode ser um instrumento de desinformação. O debate tem que ser um instrumento de formação de opinião do eleitor. Então, o correto é que haja uma checagem de cada resposta dos dois candidatos para saber quem está falando a verdade e quem está mentindo para o eleitor em um momento tão decisivo”, disse ele.
Ajustes cênicos e cenário das pesquisas
Para evitar novas armadilhas do concorrente — que costumava se posicionar atrás do atual chefe do Executivo no debate da TV Band —, os conselheiros recomendaram que Lula reduza a movimentação pelo palco e utilize mais o púlpito. Embora as regras da Globo permitam livre circulação pelo estúdio, a medida visa blindar o candidato.
O confronto decisivo ocorre em meio a um cenário de empate técnico apontado pela nova rodada da pesquisa Quaest, divulgada na última quarta-feira. O levantamento indica Flávio Bolsonaro com 45% das intenções de voto, enquanto Lula registra 44%. O cenário eleitoral ainda contabiliza 2% de indecisos e 5% de votos brancos ou nulos, mantendo a disputa em aberto para o pleito de domingo (25/10).
Repercussão da Quaest e ações jurídicas
Apesar do empate, os aliados comemoraram recortes específicos da pesquisa. A rejeição ao petista recuou de 53% para 47% em uma semana, ao passo que a rejeição ao adversário foi a 52%. Além disso, o percentual de eleitores que temem o retorno da família Bolsonaro ao poder (44%) superou o índice daqueles que rejeitam a continuidade do atual governo (42%), e o número de indecisos na espontânea dobrou para 14%. “Isso significa que o voto está em disputa”, comentou um auxiliar presidencial.
Paralelamente, a coligação protocolou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije) contra a chapa de Flávio Bolsonaro e Alfredo Gaspar (PL), requerendo a cassação dos registros e a inelegibilidade de figuras como o empresário Tallis Gomes e o influenciador Pablo Marçal por oito anos. A acusação aponta suposto abuso de poder econômico e favorecimento por parte da Meta, alegando que a infraestrutura tecnológica das plataformas digitais operou em prol do candidato opositor. A Meta negou qualquer interferência intencional, atribuindo os problemas a questões estritamente técnicas.








