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MPDFT pede novo inquérito contra suposta médium Maira Rocha

Líder espiritual é acusada por ex-frequentadores de usar redes sociais para falsificar cartas psicografadas.

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MP pede investigação de suposta médium Maira Rocha por crime de estelionato

O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) intensificou as apurações contra Maira Alexandrina Leobino Freitas, conhecida publicamente como Maira Rocha. Os promotores enviaram uma solicitação oficial para que a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) abra um novo inquérito focado em apurar supostos crimes de estelionato, falsidade ideológica e apropriação indébita.

Exigência de respostas

Emitido no dia 22 de agosto, o documento do órgão ministerial estabelece um prazo estrito de dez dias para que a PCDF apresente um relatório formal sobre as providências tomadas. A nova requisição amplia a pressão jurídica sobre a dirigente espiritual da Casa de Caridade Inácio Daniel, situada na região de Águas Claras.

Essa determinação soma-se a um procedimento que já está em andamento na 11ª Delegacia de Polícia, localizada no Núcleo Bandeirante. Naquela unidade, equipes policiais realizam diligências para examinar denúncias análogas que chegaram às autoridades nos últimos meses, aguardando a finalização de laudos e requisições periciais.

Suspeitas em cartas psicografadas

Frequentadores e pessoas ligadas ao meio espiritualista apontam que os textos atribuídos a Maira Rocha contêm falhas doutrinárias e contradições conceituais. De acordo com os depoimentos, as mensagens entregues a familiares em luto seriam construídas com base em informações públicas coletadas em plataformas como Instagram e Facebook.

Embora o site oficial da Casa de Caridade Inácio Daniel declare que o atendimento de psicografia é gratuito e que os textos dependem de autorização espiritual — seguindo o princípio de que “o telefone só toca de lá para cá” —, os denunciantes argumentam que o conteúdo é extraído da internet.

Relatos de famílias enlutadas

Um dos casos relatados envolve Paulo, de 52 anos, que frequentou o local após o falecimento de sua mãe, Gabriela. Ele recebeu uma mensagem atribuída à genitora que continha diversos pontos divergentes da realidade familiar:

  • Trecho inicial com a frase: “Meus amados filhos, lembro que quando pequenos eu ensinava a Salve Rainha com a régua na mão, era preciso viu”. O comentário era idêntico a uma postagem antiga no Facebook da própria Gabriela.
  • Menção a uma neta inexistente chamada Fernanda*, nome que pertencia à filha de uma nora.
  • Uso do apelido “Julie” para se referir a Juliana*, irmã de Gabriela, termo que só aparecia nas redes sociais.
  • Trechos copiados de grupos de ciclistas e de publicações sobre a formatura do filho.

Impacto emocional e desdobramentos

Outro depoimento de destaque é o da empresária Márcia*, de 44 anos, que perdeu o filho em um acidente de trânsito. Ela recebeu um bilhete assinado com o apelido do jovem que continha a transcrição exata da legenda de uma foto publicada por sua própria mãe no Instagram. Além disso, a carta mencionava um animal de estimação que pertencia a uma vizinha e nunca havia morado com a família.

Com a determinação do MPDFT, a corporação policial deve oficializar os desdobramentos do novo inquérito e dar continuidade às oitivas das testemunhas. O espaço permanece aberto para manifestações da defesa e da administração do centro espírita.

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