A inflação dos combustíveis no Brasil acumulada entre janeiro e setembro de 2026 já atingiu 4,49%, índice que representa quase o dobro dos 2,30% registrados em todo o ano passado, segundo dados oficiais do IBGE. O avanço ocorre mesmo com os sucessivos pacotes de ajuda financeira e desonerações aplicados pela gestão federal para conter o impacto dos conflitos geopolíticos globais sobre os custos da energia.
Esforço fiscal e desonerações
Para blindar o consumidor brasileiro contra os reflexos da disparada do petróleo provocada pelas guerras no Oriente Médio e na Ucrânia, o governo destinou cerca de R$ 40 bilhões a medidas de subvenção e corte de impostos. Desde março, o rol de intervenções incluiu isenções de PIS/Cofins sobre a importação de óleo diesel, reduções temporárias nas alíquotas da gasolina e ampliação de subsídios diretos a refinadores, cooperativas e produtores de etanol.
Apesar do forte aparato fiscal, o impacto no bolso do consumidor variou conforme o produto. Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) indicam que o óleo diesel S10 acumulou alta de até 20,85% desde o início das hostilidades no exterior, enquanto o etanol registrou recuo de 10,58% na média de revenda. No caso da gasolina comum, o preço médio passou de R$ 6,28 em fevereiro para um pico de R$ 6,78, fechando cotado a R$ 6,54 em outubro.
Impactos dos conflitos internacionais
O principal motor da pressão inflacionária reside nos conflitos armados internacionais, em especial as tensões envolvendo Estados Unidos, Irã e Israel iniciadas no final de fevereiro, além do embate entre Rússia e Ucrânia. Com o fechamento de rotas estratégicas como o Estreito de Ormuz — essencial para o escoamento do petróleo do Golfo Pérsico —, a cotação do barril tipo brent saltou de patamares em torno de US$ 70 para pico de US$ 120, operando posteriormente na faixa de US$ 105.
Paralelamente, o mercado global de destilados médios sofre com quebras na oferta russa. Conforme apontou a Agência Internacional de Energia (IEA) em outubro, a “produção e as exportações russas de óleo diesel caíram nos últimos meses, em decorrência dos danos crescentes causados às refinarias por drones ucranianos”.
Perspectivas para o próximo ano
A escassez global de derivados continuará gerando instabilidade econômica. A própria IEA destacou em seu relatório que “apesar da menor demanda, prevê-se que o equilíbrio do mercado de petróleo permaneça deficitário até o final do ano, com a restrição na oferta de destilados médios provavelmente persistindo até bem avançado o ano de 2027”.
Dessa forma, o desafio dos preços elevados dos combustíveis será herdado pela próxima administração presidencial em 2027. Mesmo com a alta atual, o patamar inflacionário acumulado no setor permanece inferior ao pico de 10,09% registrado em 2024 e aos 8,37% vistos em 2023.








