Uma ala interna do Partido dos Trabalhadores passou a articular nos bastidores o afastamento de Edinho Silva da presidência nacional da legenda, além da antecipação da eleição para o comando partidário, cenário cogitado caso o presidente Lula seja derrotado no pleito de 2026.
Insatisfação com a coordenação
Essa movimentação ganhou força após duras críticas direcionadas à atuação de Edinho na liderança da campanha presidencial durante o primeiro turno. Acumulando a função de dirigente da sigla e de coordenador-geral da disputa, ele foi alvo de reprovação por concentrar o poder decisório e falhar na organização eficiente das frentes de trabalho.
O impacto nas urnas
O descontentamento se intensificou após a apuração dos votos do primeiro turno, quando Flávio Bolsonaro (PL) alcançou a liderança com 47,03% dos votos válidos, superando os 45,16% obtidos por Lula, uma margem superior a 2,2 milhões de votos.
Em encontro reservado com parlamentares da legenda na capital federal, o atual chefe do Executivo federal realizou uma avaliação severa ao declarar que aquela havia sido a campanha “menos organizada” da qual participou desde 1989.
Mudanças na estratégia
Como reflexo direto dessa insatisfação, Lula promoveu uma reformulação na cúpula da campanha, fazendo com que Edinho perdesse a exclusividade na coordenação-geral, que passou a ser compartilhada com três importantes nomes do partido: o senador e ex-ministro Camilo Santana (CE), o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles, e o ex-ministro e senador eleito Rui Costa.
Regras partidárias e contraponto
Apesar da forte pressão exercida nos bastidores, o estatuto interno do partido não contempla um mecanismo formal de destituição para o cargo de presidente nacional, mandato para o qual Edinho foi eleito em julho de 2025 com duração prevista de quatro anos.
A assessoria de imprensa do dirigente foi contatada para comentar o assunto, mas não retornou até a conclusão desta reportagem, mantendo-se o espaço aberto para eventuais esclarecimentos.








