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Jovens usam inteligência artificial para criar conteúdos e explorar novas formas de expressão

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Uma fotografia transformada em uma imagem inspirada nos anos 1980, um acontecimento que ganha repercussão em forma de meme ou uma referência da cultura pop que se espalha pelas redes sociais. Esses são exemplos de como os jovens utilizam recursos digitais para criar conteúdos, compartilhar ideias e se comunicar na internet. Nesse cenário, a inteligência artificial (IA), as trends e os memes passaram a integrar uma dinâmica que combina criatividade, referências culturais e novas formas de expressão.

Em setembro, uma trend baseada em inteligência artificial ganhou espaço nas redes sociais ao transformar fotografias atuais em versões inspiradas na década de 1980. A partir de uma única imagem enviada pelo usuário, a ferramenta recriava elementos visuais característicos do período, como roupas, penteados e maquiagem. Os resultados começaram a circular rapidamente, alcançando tanto usuários anônimos quanto celebridades.

O fenômeno evidencia como ferramentas que antes exigiam conhecimentos específicos de edição e criação visual se tornaram mais acessíveis. Com poucos comandos, usuários conseguem produzir imagens, vídeos e outros formatos de conteúdo. A tecnologia, nesse contexto, aproxima os recursos digitais de atividades que envolvem imaginação, experimentação e expressão pessoal.

Como acontecimentos e referências culturais se transformam em trends

A criação de tendências digitais, no entanto, não depende apenas do surgimento de novas ferramentas. A própria cultura das redes transforma acontecimentos, referências culturais e assuntos de grande repercussão em conteúdos que podem ser reinterpretados e compartilhados por diferentes comunidades.

Eventos como a Copa do Mundo, as eleições e premiações como o Oscar, além de momentos marcantes da cultura pop, tornam-se matéria-prima para memes, vídeos e montagens. A partir dessas referências, os usuários criam diferentes versões de um mesmo assunto, adaptando-o a formatos e contextos específicos.

Participar dessa dinâmica exige mais do que acompanhar os conteúdos que estão em alta. É necessário reconhecer referências, compreender códigos e identificar as formas de linguagem utilizadas em cada contexto. Um meme, por exemplo, pode transformar um acontecimento em humor, comentário ou manifestação de uma ideia por meio de uma imagem, frase ou referência compartilhada por determinado grupo.

Esse processo também permite que os jovens experimentem diferentes maneiras de produzir e transmitir mensagens no ambiente digital. Ao adaptar um conteúdo ou criar uma nova versão de uma tendência, eles mobilizam referências e escolhas que influenciam a maneira como a mensagem será compreendida por outras pessoas.

Inteligência artificial amplia o acesso à criação de conteúdo

A presença dessas ferramentas na rotina dos jovens aparece nos dados da pesquisa TIC Kids Online Brasil 2025, realizada pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), vinculado ao Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br).

De acordo com o levantamento, 65% dos usuários de internet de 9 a 17 anos já utilizaram ferramentas de inteligência artificial generativa. Entre as finalidades desse uso, além de estudar e buscar informações, 21% recorrem aos recursos para criar conteúdos, como textos e imagens.

Os números demonstram a presença da inteligência artificial nas experiências digitais desse público e sua utilização em atividades que vão além da pesquisa e do acesso à informação. A tecnologia também aparece como um recurso para produzir materiais e explorar possibilidades criativas.

O acesso facilitado, entretanto, não significa que os usuários compreendam necessariamente o funcionamento dessas tecnologias ou as escolhas envolvidas no processo de criação. Produzir uma imagem com inteligência artificial, editar um vídeo ou adaptar um meme envolve decisões sobre o conteúdo, a mensagem que se pretende transmitir e as referências utilizadas.

Nesse sentido, a familiaridade com os recursos digitais não se limita à capacidade de operar ferramentas. A produção de conteúdo também envolve repertório, interpretação e escolhas sobre como apresentar uma ideia e torná-la compreensível para determinado público.

O papel de pais e educadores no desenvolvimento de habilidades

Para Marco Giroto, fundador da SuperGeeks, escola de inteligência artificial, Ciência da Computação e Tecnologia, o interesse dos jovens pelas trends está relacionado não apenas às ferramentas disponíveis, mas também à curiosidade e à vontade de transformar ideias em conteúdos compartilháveis.

“O que existe por trás das trends vai além da ferramenta ou do assunto do momento: há curiosidade e a vontade de transformar uma ideia em algo que possa ser compartilhado. Esse contato também pode ser uma oportunidade para desenvolver novas competências”, afirma.

Na avaliação do especialista, pais e educadores podem contribuir para que a relação dos jovens com a tecnologia ultrapasse o consumo de conteúdos. Conhecer as ferramentas presentes na rotina desse público e conversar sobre as produções realizadas nas redes são formas de identificar interesses e habilidades que podem ser desenvolvidos ao longo da formação.

A observação dessas experiências também permite compreender como atividades iniciadas por curiosidade ou diversão podem despertar o interesse por diferentes áreas do conhecimento. A criação de conteúdos, nesse contexto, pode representar um ponto de partida para explorar possibilidades de aprendizagem e desenvolvimento pessoal.

Giroto destaca que essas experiências podem contribuir para o desenvolvimento de competências relevantes em um mercado de trabalho em transformação, especialmente quando estimulam os jovens a experimentar, formular ideias e buscar soluções.

“Essas experiências podem mostrar que aquilo que começa como uma brincadeira ou curiosidade também pode estimular criatividade, pensamento crítico e capacidade de resolver problemas, competências cada vez mais importantes em um mercado de trabalho em transformação”, conclui.

Da brincadeira à aprendizagem

Memes, trends e ferramentas de inteligência artificial fazem parte de um ambiente digital em que criar, adaptar e compartilhar conteúdos são formas de interação. Ao transformar referências culturais em novas produções, os jovens encontram possibilidades de expressão e experimentação que vão além do acompanhamento das tendências.

Nesse cenário, a participação de pais e educadores pode ajudar a ampliar o significado dessas experiências, aproximando o interesse pelas ferramentas digitais de oportunidades de aprendizagem e desenvolvimento de habilidades.

A SuperGeeks, rede de franquias criada em 2014, tem como proposta formar não apenas consumidores, mas também criadores de tecnologia. A empresa atua no ensino de programação, robótica e inteligência artificial, com uma abordagem lúdica e criativa voltada a diferentes faixas etárias.

Sobre a SuperGeeks

Fundada em 2014, a rede de franquias SuperGeeks tem como objetivo preparar as novas gerações para os desafios e as oportunidades do futuro tecnológico. A marca oferece ensino de programação, robótica e inteligência artificial, com foco na formação de criadores de tecnologia e em uma abordagem lúdica e criativa para diferentes faixas etárias.

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