Marido que perdeu esposa em Portugal faz triste relato: “Em 2h, tudo mudou”
Enfermeira morreu após comer lula empanada na lua de mel sabia que tinha alergia a camarão, mas não sabia da reação a outros frutos do mar
O almoço em um restaurante especializado em frutos do mar em Leiria, Portugal, parecia ser apenas mais um momento da lua de mel de Amanda Marinho Nascimento, 29 anos, e Tiago Nascimento. Os dois haviam se casado havia 11 dias. Mas, por volta das 14h30 dessa quarta-feira (21/10), uma porção de lula empanada deu início a uma sequência de acontecimentos que terminaria com a morte da enfermeira.
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Como o alimento parecia peixe empanado, Amanda acreditou que poderia experimentar um pedaço. Ela sabia, desde a infância, que tinha alergia a camarão, mas não imaginava que também pudesse ter alguma reaação aa outros frutos do mar.
“Sem saber exatamente o que estava sendo servido, pegou um pedaço e colocou na boca. Quando sentiu aquela textura borrachuda, percebeu que não era um peixe comum. Só que, naquele momento, ela já tinha engolido, então tentamos não nos desesperar”, relatou Tiago.
O casal não tinha nenhum antialérgico à disposição. Amanda sentiu um pequeno incômodo na garganta, mas, como a sensação passou depois que ela bebeu água, os dois não imaginaram que a situação pudesse se agravar.
“Seguimos normalmente, sem perceber que aquilo poderia ser o início de uma reação muito mais séria. Mas, em duas horas, tudo mudou. Estavámos saindo de uma livraria quando os sintomas começaram a aparecer, por volta das 16h30 (horário de Portugal) ”, contou o marido.
Amanda começou a apresentar manchas e inchaço na pele, ficou empolada e sentiu a garganta fechar. Uma equipe de emergência prestou os primeiros socorros à enfermeira, mas ela precisou ser transferida para outra unidade hospitalar.
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“A ambulância chegou e fez os primeiros socorros, mas, naquela unidade, não tinha o suporte necessário. Ela, então, precisou ser transferida para o Hospital Universitário de Coimbra, um pouco mais distante, e, infelizmente, não resistiu”, contou o marido.
Dificuldade para trazer o corpo ao Brasil
Além da dor de perder a esposa tão longe de casa, Tiago precisou lidar com as dificuldades para trazer o corpo dela de volta ao Brasil. O casal havia contratado um seguro de viagem justamente para ter assistência caso alguma emergência acontecesse durante a estadia no exterior, como é obrigatória em qualquer viagem à Europa.
Depois da morte da esposa, ao procurar a seguradora para tratar do traslado, Tiago foi informado de que o contrato funcionava por reembolso. Isso significa que ele e a família precisariam pagar antecipadamente os custos do procedimento, estimados em R$ 38 mil, para depois solicitar a devolução do dinheiro, conforme as condições e os prazos previstos no contrato. Diante da situação, uma campanha de arrecadação foi organizada para ajudar a custear o traslado, e o dinheiro já foi arrecadado.
O prazo estimado para trazer o corpo de Amanda ao Brasil é de sete dias. Diante da urgência, familiares e pessoas próximas se mobilizaram para arrecadar o dinheiro necessário para dar andamento aos procedimentos.
Casamento recente
“São 10 anos de história como namorados. Conheci ela na paróquia. É muito difícil perder ela justamente quando íamos começar uma nova história, agora como marido e mulher”, lamentou Tiago.
Moradores de Ceilândia, no Distrito Federal, Amanda e Tiago se casaram em 10 de outubro último. A enfermeira morreu apenas 11 dias após a cerimônia. O retorno do casal ao Brasil estava previsto para esta sexta-feira (23/10).
“A Amanda é uma pessoa extraordinária, uma mulher doce, humilde e que sempre se preocupou com todo mundo. Enfermeira, amava a profissão dela e era muito católica. Ela faleceu fazendo o que mais gostava, que era viajar”, lamentou o marido.
Notas de pesar
Amanda foi descrita pelo hospital onde trabalhava como uma enfermeira comprometida e humana. A brasiliense atuava na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Mantevida Taguatinga, no Distrito Federal, desde maio de 2025.
Em nota de pesar, o Grupo Mantevida destacou a dedicação da profissional ao cuidado de pacientes e familiares, especialmente nos momentos mais delicados.
“Amanda dedicava sua trajetória profissional ao cuidado de pacientes e famílias nos momentos mais delicados, exercendo a enfermagem com compromisso e humanidade. Sua presença e a forma atenciosa com que acolhia aqueles que precisavam de cuidados permanecerão na memória de quem conviveu com ela e de quem recebeu sua assistência”, declarou o grupo.
A instituição manifestou solidariedade aos familiares, amigos e colegas de trabalho da profissional diante da perda.
O Conselho Regional de Enfermagem do Distrito Federal (Coren-DF) também lamentou a morte da profissional.
“Neste momento de tristeza, nos solidarizamos com seus familiares, amigos e colegas de trabalho, desejando força e serenidade para enfrentar a dor da despedida”, declarou o Coren-DF.















