O pianista e compositor brasileiro Benito di Paula faleceu aos 84 anos em decorrência de um câncer de próstata. O artista enfrentava a enfermidade há cerca de um ano e, após passar mal no fim da tarde de domingo (18/10), foi levado pelo filho, Rodrigo Vellozo, ao Hospital Nove de Julho, em São Paulo, mas não resistiu.
O avanço silencioso da doença
O tumor maligno na próstata é o de maior incidência entre o público masculino e o segundo mais comum no Brasil, sem considerar os casos de pele não melanoma, conforme dados do Ministério da Saúde. Trata-se de uma condição que se inicia de maneira silenciosa e, na maioria das vezes, cresce lentamente, podendo não manifestar sinais ao longo da vida nem representar ameaças à saúde. Por outro lado, existem situações em que a evolução é rápida, com disseminação para outros órgãos e risco de morte.
As estimativas do Instituto Nacional do Câncer (Inca) indicam que 77.920 homens devem receber o diagnóstico até o final de 2026. Indivíduos negros, com mais de 60 anos, além de quem apresenta obesidade ou histórico familiar, integram o grupo de maior vulnerabilidade para o desenvolvimento da patologia.
Sintomas e formas de diagnóstico
Entre os sinais de alerta mais frequentes estão a dificuldade para urinar ou ejacular, aumento na frequência das idas ao banheiro, presença de sangue na urina, redução no jato urinário e dores pélvicas ou difusas.
“O câncer costuma ser assintomático no início, porém alguns sintomas urinários podem aparecer, como dificuldade para urinar ou redução do jato de urina”, explica o urologista Fernando Sabino, do Hospital Santa Lúcia.
O rastreamento preventivo é recomendado anualmente para homens com mais de 50 anos, ou a partir dos 45 anos para aqueles com histórico familiar da doença. Os exames incluem a dosagem de PSA (Antígeno Prostático Específico) no sangue, o exame de toque retal e recursos de imagem como a ressonância magnética, sendo a biópsia o procedimento que confirma a presença do tumor.
Classificação e agressividade do tumor
O diagnóstico médico classifica o problema em três categorias de risco: baixo, intermediário e alto.
“Isso é baseado na biópsia. A vasta maioria, ao redor de 90% dos tumores, é de baixo risco ou risco intermediário”, diz o urologista Alexandre Iscaife, do Hospital das Clínicas da USP.
Embora os quadros altamente agressivos sejam minoria, eles costumam ser detectados já em estágio de metástase. Nesses casos, as células cancerígenas podem atingir inicialmente os gânglios linfáticos e, posteriormente, os ossos, além de órgãos como pulmão, fígado e cérebro em situações mais raras.








