Setor respondeu por 66,7% das vendas internacionais do estado e arrecadou R$ 1,49 bilhão em royalties; cobre registrou alta de 75,3% nas exportações, enquanto indústria mineral gerou 960 novos empregos formais no período.
As exportações de produtos minerais do Pará alcançaram US$ 8,67 bilhões no primeiro semestre de 2026, um crescimento de 23,5% em comparação com o mesmo período de 2025. O resultado reforça a participação do setor na economia paraense, com avanços também na arrecadação de royalties e na geração de empregos formais, segundo levantamento divulgado pelo Sindicato das Indústrias Minerais do Estado do Pará (SIMINERAL).
Entre janeiro e junho, o desempenho da mineração superou o crescimento das exportações totais do estado, que ficou em torno de 18%. Com isso, os produtos minerais passaram a representar 66,7% de tudo o que o Pará vendeu ao mercado internacional. O estado também respondeu por 34,6% das exportações minerais brasileiras no período.
Os dados fazem parte do Panorama da Mineração do Estado do Pará – 1º Semestre de 2026, elaborado a partir de informações oficiais da Agência Nacional de Mineração (ANM), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e do Ministério do Trabalho e Emprego.
Além do avanço nas vendas externas, o levantamento aponta que a Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM), conhecida como royalties da mineração, somou R$ 1,49 bilhão nos seis primeiros meses do ano, alta de 3,7% em relação ao mesmo intervalo de 2025. No mercado de trabalho, a indústria extrativa mineral registrou saldo positivo de 960 empregos formais, resultado 61,6% superior ao observado no primeiro semestre do ano anterior.
Para o presidente executivo do SIMINERAL, Emerson Rocha, os resultados demonstram a relevância da atividade para a economia estadual e o fortalecimento de segmentos específicos, como o cobre.
“Esses números mostram a importância que a mineração tem para o Pará e para o Brasil. É uma atividade que gera empregos, movimenta a economia, fortalece empresas fornecedoras e contribui diretamente para a arrecadação dos municípios e do estado. O crescimento do cobre também mostra que a mineração paraense está avançando e ganhando ainda mais espaço no mercado”, afirma.
Cobre registra alta de 75,3% nas exportações
O cobre foi um dos principais destaques da mineração paraense no primeiro semestre de 2026. As exportações de minério de cobre e concentrados atingiram US$ 2,68 bilhões, crescimento de 75,3% em relação ao mesmo período do ano passado.
O avanço foi resultado da combinação entre o aumento do volume exportado e a valorização do produto no mercado internacional. A quantidade embarcada cresceu 20,3%, enquanto o preço médio do mineral subiu 45,7%.
O desempenho também evidencia a posição do Pará no mercado brasileiro de cobre. De acordo com o levantamento, o estado foi responsável por 99,77% das exportações nacionais de minério de cobre e concentrados no período.
A importância do mineral está relacionada à sua utilização em diferentes segmentos industriais, incluindo a fabricação de equipamentos elétricos e o desenvolvimento de tecnologias associadas à transição energética. Nesse contexto, o crescimento das vendas paraenses amplia a participação do estado no fornecimento de uma matéria-prima estratégica para a indústria.
Os números mostram que o cobre ganhou espaço entre os produtos minerais exportados pelo Pará, acompanhando o avanço das vendas internacionais e contribuindo para o desempenho geral do setor.
Minério de ferro permanece como principal produto mineral
Apesar do crescimento expressivo do cobre, o minério de ferro continuou liderando as exportações minerais do Pará no primeiro semestre de 2026. O produto respondeu por 58,9% do valor exportado pelo setor e por 68,7% da arrecadação estadual de royalties da mineração.
O estado também manteve participação relevante no mercado nacional. Segundo o panorama, o Pará respondeu por 43,1% das exportações brasileiras de minério de ferro não aglomerado, ficando atrás de Minas Gerais, que concentrou 45,5%.
No período analisado, a quantidade de minério de ferro exportada pelo Pará diminuiu 2,3%. Mesmo com a redução do volume, o aumento de 5,8% no preço médio do produto contribuiu para elevar o valor das vendas em 3,4%.
O resultado demonstra que o desempenho financeiro das exportações não depende exclusivamente da quantidade comercializada, mas também das variações de preços no mercado internacional.
A permanência do minério de ferro na liderança e o crescimento do cobre indicam a importância desses dois produtos para a composição das exportações minerais paraenses.
Arrecadação de royalties chega a R$ 1,49 bilhão
A arrecadação da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM) alcançou R$ 1,49 bilhão no Pará entre janeiro e junho de 2026. O valor representa crescimento de 3,7% em relação ao primeiro semestre de 2025, com acréscimo de R$ 53,1 milhões.
O comportamento da arrecadação variou entre os principais minerais. A CFEM relacionada ao cobre cresceu 45,8%, chegando a R$ 325,9 milhões. Já a arrecadação vinculada ao minério de ferro apresentou queda de 5%.
A distribuição dos recursos também se concentrou em municípios com forte participação na atividade mineral. Canaã dos Carajás liderou a arrecadação, com R$ 660,4 milhões. Na sequência, aparecem Parauapebas, com R$ 384,6 milhões, e Marabá, com R$ 227,2 milhões.
Juntos, os três municípios concentraram 85,2% dos recursos da CFEM registrados no estado, segundo o levantamento.
Os royalties da mineração são destinados ao poder público e podem contribuir para investimentos em áreas como infraestrutura, saúde, educação e melhoria dos serviços oferecidos à população, respeitadas as regras de aplicação dos recursos.
A arrecadação constitui uma das principais formas de participação do poder público nos resultados econômicos da exploração mineral. Os valores registrados no primeiro semestre mostram, contudo, que a evolução das receitas varia de acordo com o desempenho dos diferentes produtos.
Indústria mineral registra saldo positivo de empregos
O mercado de trabalho também apresentou resultados positivos nos seis primeiros meses de 2026. A indústria extrativa mineral do Pará registrou 3.057 contratações e 2.097 desligamentos entre janeiro e junho, resultando em saldo positivo de 960 postos de trabalho formais.
O resultado foi 61,6% superior ao registrado no primeiro semestre de 2025. Ao final de junho, o setor contabilizava 30.238 trabalhadores com carteira assinada no estado.
Esse número corresponde aos empregos formais diretamente registrados na indústria extrativa mineral. O impacto econômico da atividade, porém, também alcança outros segmentos que fornecem produtos e serviços às operações de mineração.
Segundo estimativas setoriais divulgadas pelo Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), cada emprego direto na atividade mineral pode movimentar cerca de dez outros postos de trabalho ao longo da cadeia produtiva.
Esse efeito envolve áreas como transporte, comércio, alimentação, manutenção, construção civil e prestação de serviços. São atividades que atendem às demandas das empresas do setor e podem gerar oportunidades para negócios de diferentes portes.
A movimentação econômica não se restringe, portanto, aos trabalhadores contratados diretamente pelas mineradoras. O fornecimento de bens e serviços também contribui para a circulação de renda e para o fortalecimento de empresas localizadas nas regiões onde a mineração está presente e em outras áreas ligadas à cadeia produtiva.
Pará lidera produção nacional de três minerais
Além dos indicadores do primeiro semestre de 2026, o panorama apresenta dados da produção mineral brasileira de 2025, último ano com informações consolidadas consideradas no levantamento.
Os números apontam que o Pará liderou a produção nacional de três minerais importantes para a indústria: bauxita, caulim e cobre.
O estado respondeu por 92,7% da produção beneficiada de bauxita no país. O mineral é utilizado principalmente na fabricação de alumínio, matéria-prima empregada em diferentes segmentos industriais.
Na produção de caulim, utilizado pelas indústrias de papel, cerâmica e outros produtos, a participação paraense foi de 75%. Já o cobre representou 73,5% da produção brasileira, segundo os dados apresentados pelo SIMINERAL.
O Pará também respondeu por 58,4% da produção nacional de manganês e por 36,9% da produção de minério de ferro.
Os percentuais reforçam a posição do estado como fornecedor de matérias-primas destinadas a diferentes cadeias industriais brasileiras e internacionais. A diversidade dos minerais produzidos também evidencia a presença da atividade em segmentos que vão além do minério de ferro, tradicionalmente associado à mineração paraense.
China concentra 46,6% das exportações minerais
O levantamento também apresenta informações sobre os mercados compradores e a composição das vendas externas. De acordo com o panorama, três produtos concentraram 94,3% das exportações minerais do Pará no primeiro semestre de 2026.
A China foi o principal destino das vendas internacionais do setor, respondendo por 46,6% do total exportado.
Os dados mostram a concentração das exportações tanto em determinados produtos quanto em mercados compradores. Essa distribuição ajuda a compreender a estrutura comercial da mineração paraense e a importância de seus principais destinos internacionais para os resultados do setor.
A dependência de um grupo restrito de produtos e a concentração das vendas em determinados mercados também tornam relevantes o acompanhamento das condições internacionais de comercialização e das variações nos preços das matérias-primas minerais.
SIMINERAL defende ampliação das oportunidades econômicas
Para o presidente executivo do SIMINERAL, Emerson Rocha, os resultados da mineração precisam ser acompanhados pelo fortalecimento das oportunidades geradas para trabalhadores, fornecedores e empresas paraenses.
“A mineração já tem uma contribuição muito importante para o desenvolvimento do Pará. Além dos empregos e da arrecadação, ela movimenta o comércio, contrata serviços, gera oportunidades para fornecedores e ajuda a desenvolver as regiões onde está presente. O que queremos é fortalecer cada vez mais esse trabalho, ampliar os resultados e fazer com que mais pessoas e empresas possam aproveitar as oportunidades que a mineração oferece”, destaca.
O dirigente também ressaltou a importância da articulação entre empresas, governos e sociedade para o desenvolvimento da atividade mineral. Segundo ele, o diálogo entre esses setores faz parte do trabalho desenvolvido pela entidade para buscar soluções e contribuir para o crescimento da mineração.
“O SIMINERAL trabalha justamente para aproximar esses setores, buscar soluções e contribuir para que a mineração continue crescendo de forma responsável. Temos uma atividade forte, que já entrega resultados importantes, e queremos ampliar ainda mais sua contribuição para o desenvolvimento do Pará e para a qualidade de vida da nossa população”, conclui.
Os resultados do primeiro semestre de 2026 mostram o peso da mineração nas exportações paraenses, na arrecadação pública e no mercado formal de trabalho. O avanço do cobre, a liderança do minério de ferro nas vendas externas e a participação do Pará na produção nacional de diferentes minerais ajudam a dimensionar a importância do setor para a economia estadual.
O relatório completo do Panorama da Mineração do Estado do Pará – 1º Semestre de 2026 está disponível no site do SIMINERAL: https://www.simineral.org.br/panorama-da-mineracao.
Sobre o SIMINERAL
Fundado em 2007, o Sindicato das Indústrias Minerais do Estado do Pará (SIMINERAL) representa empresas de mineração e reúne fornecedores e prestadores de serviços ligados ao setor mineral.
A entidade atua no diálogo com governos, empresas e sociedade, com foco no desenvolvimento da mineração, na segurança jurídica, na sustentabilidade e no fortalecimento da economia paraense.
Mais informações podem ser consultadas no site oficial, https://simineral.org.br/, e no perfil da entidade no Instagram, @simineral.


