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Delegada casada com réu por morte de gari reassume cargo

Ana Paula Lamego Balbino estava longe das funções havia mais de um ano e cumprirá período de adequação profissional

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Delegada esposa de réu por morte de gari volta ao trabalho após 420 dias

A delegada Ana Paula Lamego Balbino, integrante da Polícia Civil de Minas Gerais, reassumiu suas funções institucionais no dia 8 de outubro. A servidora pública estava longe do expediente havia 420 dias, amparada por sucessivas licenças médicas contínuas.

Retorno com funções adaptadas

O Diário Oficial oficializou a concessão de ajustamento funcional à autoridade policial por um período inicial de 90 dias. A decisão fundamenta-se em parecer emitido pela Diretoria de Perícias da corporação.

Com essa determinação administrativa, a servidora mantém o cargo, mas executa tarefas modificadas para compatibilidade com seu estado de saúde. A legislação estadual prevê tal modalidade para evitar agravamentos clínicos, embora os detalhes específicos sobre as restrições e novas funções não tenham sido divulgados oficialmente.

Contexto do crime em Belo Horizonte

O longo afastamento da delegada iniciou-se em 13 de agosto de 2025, exatos dois dias após o homicídio do gari Laudemir de Souza Fernandes, de 44 anos. O trabalhador foi baleado enquanto exercia suas funções de coleta de resíduos na capital mineira.

Conforme apurado nas investigações policiais, o empresário René da Silva Nogueira Júnior — cônjuge de Ana Paula — irritou-se com o bloqueio da via pública provocado pelo caminhão de limpeza. Após desentendimentos com a motorista do veículo, o suspeito desceu armado, proferiu ameaças e efetuou os disparos letais contra a vítima.

Situação jurídica e investigações

O autor dos disparos foi detido em flagrante poucas horas após o crime e responde judicialmente como réu pelo assassinato. Paralelamente, a delegada chegou a ser formalmente indiciada sob suspeita de prevaricação e por supostamente permitir o uso de sua arma de fogo na ocorrência.

Apesar do indiciamento inicial, o Ministério Público de Minas Gerais optou por não oferecer denúncia contra ela, sugerindo a celebração de um acordo de não persecução penal. O órgão ministerial também requereu a fixação de indenização mínima de R$ 150 mil destinada aos familiares do gari falecido.

A corregedoria da instituição de segurança pública mantém em andamento um Procedimento Administrativo Disciplinar voltado a apurar a conduta da delegada no âmbito interno da corporação.

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