Um grupo de cinco policiais militares foi condenado nesta quinta-feira (8/10) pelo assassinato de Uanderson Novaes Ventura, cometido em 12 de abril de 2019 na cidade baiana de Brumado. Conforme a investigação conduzida pelo Ministério Público do Estado da Bahia (MPBA), os agentes armaram uma armadilha para atrair o rapaz, executaram o crime e posteriormente adulteraram o cenário para fazer o caso parecer um confronto com forças de segurança.
Os réus condenados no processo Os agentes apontados na acusação são Milton Ferraz de Andrade Júnior, Wendel Leão Ribeiro, Wandenberg Santos Marques, Cristiano dos Santos Moreira e Elton Silva Queiroz. Eles respondem perante a Justiça por crimes que incluem homicídio qualificado, fraude processual e cárcere privado.
A atuação do Ministério Público A acusação formal foi estruturada pela 4ª Promotoria de Justiça de Brumado em parceria com o Grupo de Atuação Especial Operacional de Segurança Pública (Geosp). As denúncias foram encaminhadas tanto para a Vara do Tribunal do Júri do município quanto para a Justiça Militar da Bahia.
Como funcionou a emboscada na Bahia Segundo o apurado pelas autoridades, os policiais criaram uma conta falsa na rede social Facebook sob a identidade de “Viviane Santos”. Com esse perfil fictício, marcaram um encontro romântico para atrair a vítima até as dependências do Centro de Atenção Integral à Criança (CAIC).
Detalhes da execução do jovem O inquérito aponta que o rapaz compareceu ao ponto combinado sem portar armas. Mesmo após obedecer à ordem para se render e levantar as mãos, ele acabou baleado por dois dos policiais envolvidos na ação. O exame necroscópico constatou que o corpo da vítima recebeu 11 projéteis de arma de fogo.
Testemunhas mantidas em cativeiro Durante o episódio, outros dois rapazes que estavam nas redondezas foram obrigados a ficar detidos sob mira de arma dentro da guarita escolar. Eles só conseguiram sair do local após os disparos e a remoção do corpo, tendo sofrido ameaças para que mantivessem silêncio sobre o ocorrido.
Fraude e alteração do local do crime O MPBA argumenta que, logo após o homicídio, os policiais modificaram deliberadamente o ambiente para tentar caracterizar a ocorrência como um auto de resistência. As provas periciais e os testemunhos coletados reforçam a tese de que houve uma emboscada premeditada para encobrir a dinâmica real dos fatos.
Pedidos de punição e desdobramentos O Ministério Público requereu o julgamento dos cinco agentes pelo Tribunal do Júri, além da decretação da perda de suas funções públicas e o pagamento de reparação financeira aos familiares de Uanderson. Na esfera militar, a promotoria pleiteou a condenação por cárcere privado e fraude processual, com encaminhamento do episódio à corregedoria da corporação. Adicionalmente, foi pedida a prisão preventiva de Milton Ferraz de Andrade Júnior — que já cumpre pena em outro processo — e a proibição de que os demais réus se aproximem de testemunhas e parentes da vítima.








