A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) iniciou tratativas avançadas para alienar a totalidade de sua participação na siderúrgica Stahlwerk Thüringen (SWT), situada na Alemanha. A operação financeira é calculada em torno de 550 milhões de euros, montante que equivale a aproximadamente R$ 3 bilhões em valor empresarial. O principal interessado na aquisição é a Bipadosa, empresa controladora do grupo siderúrgico espanhol Megasa.
Exclusividade e prazos do acordo
Um pacto preliminar vinculante foi divulgado ao mercado na sexta-feira (9), estabelecendo um prazo de exclusividade de até dez semanas. Esse intervalo é destinado ao avanço das tratativas e à elaboração dos contratos definitivos. A conclusão definitiva da venda permanece pendente, pois exige a formalização contratual e o cumprimento de exigências mútuas entre as companhias envolvidas.
O valor estimado de 550 milhões de euros refere-se ao conceito de valor empresarial, englobando o negócio e suas respectivas obrigações financeiras. Desse modo, a quantia bilionária não reflete o valor líquido que entrará diretamente no caixa da empresa brasileira, e o preço final poderá passar por reajustes durante o andamento das conversas.
Foco na redução de endividamento
Essa potencial transação faz parte de um plano estratégico da CSN voltado para o corte de passivos e a reestruturação de suas finanças. A corporação fechou o trimestre de referência com uma dívida líquida na casa de R$ 42,1 bilhões, apresentando uma alavancagem equivalente a 3,49 vezes a sua geração de caixa operacional.
Perfil da unidade alemã
Localizada em Unterwellenborn, a Stahlwerk Thüringen foi comprada pela corporação brasileira em 2012. A fábrica é especializada na fabricação de aços longos, insumos amplamente aplicados em projetos de infraestrutura e construção civil. Sua capacidade produtiva alcança cerca de 1,1 milhão de toneladas anuais, contando com um quadro de aproximadamente 750 colaboradores.
Para o grupo espanhol, a compra representará uma expansão relevante de sua atuação no mercado europeu de aço, visto que a empresa já administra unidades industriais na França, em Portugal e na Espanha. Além disso, a planta alemã apresentou recentemente um marco positivo: no segundo trimestre de 2026, obteve seu melhor rendimento comercial desde o início de 2022, comercializando cerca de 205 mil toneladas.
Novos desinvestimentos no radar
As tratativas na Europa acontecem em meio a um cenário de repasse de ativos conduzido pela companhia. A administração também analisa a comercialização de sua fatia na CSN Cimentos, cujas projeções de mercado giram em torno de R$ 15 bilhões, dependendo do avanço de propostas concretas.
Enquanto a matriz histórica em Volta Redonda (RJ), onde opera a Usina Presidente Vargas, mantém sua relevância econômica no Sul Fluminense, o negócio na Europa não traz impactos diretos para as atividades nacionais. No comunicado oficial do acordo, a administração não reportou nenhuma modificação na capacidade produtiva ou no número de empregados de suas instalações no Brasil. O desfecho da venda da subsidiária alemã segue sob a atenção do mercado financeiro como um termômetro do processo de desalavancagem da companhia.








