O espólio do médico e empresário Jorge Mitre, falecido em 2022, deu início a uma complexa e ruidosa batalha judicial envolvendo sua viúva e seus filhos. Nos tribunais, o conflito familiar acumula denúncias que vão desde a dilapidação de patrimônio até a falsificação de rubricas e extorsão.
A divisão na família Mitre A disputa coloca em lados opostos os irmãos Júlio, economista, e Juliana, médica, contra a mãe, Maria Elisa, e o irmão mais velho, Fabrício, que atua como engenheiro e CEO da construtora Mitre Realty. Enquanto o patrimônio empresarial possui forte presença no setor hospitalar, com destaque para o Grupo HOSP, a família também administrava negócios voltados para o agronegócio por meio da empresa Elisa Agro.
A polêmica dos documentos e laudos periciais Um dos principais focos da briga judicial envolve a contestação de assinaturas do patriarca em papéis vinculados à Elisa Agro. Entre os documentos questionados está um acordo que serviu de base para o lançamento de um Certificado de Recebíveis do Agronegócio no valor de R$ 293 milhões, emitido em maio de 2022 para alongar dívidas da companhia, que posteriormente entrou em recuperação judicial.
Juliana e Júlio alegaram na Justiça que a situação fazia parte de uma manobra executada pelo irmão mais velho. Um exame do Instituto de Criminalística de São Paulo apontou divergências gráficas em uma das assinaturas atribuídas a Jorge Mitre. Em contrapartida, a defesa apresentou outros laudos para atestar a autenticidade, enquanto o Ministério Público acabou arquivando as acusações por falta de provas conclusivas de crime.
Avanço das investigações e medidas cautelares O conflito familiar ganhou novos capítulos com desdobramentos legais envolvendo a médica Juliana. Além de ser excluída judicialmente de sociedades do Grupo HOSP por decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo, ela passou a enfrentar restrições severas.
Uma medida cautelar determinou que Juliana mantenha distância mínima de 200 metros de Fabrício, após acusações de perseguição e envio de mensagens com conteúdo intimidatório. A investigação policial também apontou o indiciamento da médica por suposta extorsão e por repasses financeiros recebidos pouco antes da morte do pai.
A defesa de Juliana argumenta que ela atuou por décadas na área médica e administrativa do grupo e que passou a ser alvo de investidas após denunciar supostos desvios patrimoniais praticados por outros familiares. Os representantes legais da médica sustentam que ela sofreu um processo de sufocamento financeiro e representações criminais após questionar a gestão dos bens do espólio.







