Em abril de 2024, a lobista Roberta Luchsinger afirmou em mensagens de texto que um empresário e outro homem estavam percorrendo governos estaduais do Partido dos Trabalhadores para buscar recursos destinados a um documentário sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva dirigido por Oliver Stone. Na mesma conversa, ela destacou que a prática incomodava o chefe do Executivo federal.
Detalhes das conversas e articulação
A troca de mensagens ocorreu entre Luchsinger e Gustavo Gaspar, que atuava como ex-assessor do senador Weverton Rocha e mantinha um relacionamento amoroso com ela na época. Nos registros, a lobista detalhou o envolvimento de Marcelo Bittencourt e de um homem chamado Zé na empreitada.
“Amor, seguinte … o Fábio (Luís Lula da Silva, o Lulinha) tava agora falando comigo q o Marcelo (Bittencourt, empresário amigo de Roberta) junto do Zé tá indo em todos os estados onde o PT governa pra captar dinheiro pro filme do Oliver Stone …”, relatou ela.
Em seguida, complementou com a suposta reação do mandatário: “O pai do Fábio (o presidente Lula) achou o filme uma bosta, falou pra eu assistir e depois ir lá falar com ele. Mas q estão captando mto dinheiro usando o nome do presidente. Ele odeia isso. Bom, coisas de Zé .::”.
Cotas de patrocínio e contrapartidas
Marcelo Bittencourt, empresário do setor de infraestrutura e amigo da lobista, chegou a enviar material explicativo sobre os valores e benefícios para potenciais investidores.
Por um aporte de US$ 300 mil, a cota previa “dois ingressos para a estreia que terão 250 pessoas com a presença do presidente (Lula) e do Oliver Stone”.
Já o investimento de US$ 500 mil garantia quatro convites para o evento nacional e mais dois ingressos para o Festival de Cannes, além de inserção de logotipo como apoiador. A cota máxima, de US$ 1 milhão, ofertava duas entradas para o lançamento na França em maio de 2024, quatro convites para eventos no Brasil e direito de uso do espaço para autopromoção.
Envolvimento da família e conexões políticas
Os registros também apontam a participação de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente. Em março de 2024, ele comentou sobre o projeto em um grupo de WhatsApp chamado Musaranhos, integrado por ele, Roberta Luchsinger e Kalil Bittar.
“É o documentário do Oliver Stone”, afirmou Lulinha. “Quem ficava trocando cartinha do Oliver e meu pai preso era eu toda quinta feira”, acrescentou, mencionando ainda que “fazia a ponte com Fernando Morais”, escritor e biógrafo que atuou como consultor na produção cinematográfica.
Em julho de 2024, em diálogo com o então embaixador do Brasil na Espanha, Orlando Leite Ribeiro, Luchsinger voltou a citar o financiamento da obra ao apresentar o empresário. “O marido dela é também uma pessoa muito interessante que o senhor irá conhecer. He foi o financiador do filme do Olivier (sic) Stone sobre o presidente Lula. São ótimas pessoas”, declarou a lobista na ocasião.







