O inventário do médico e empresário Jorge Mitre, falecido em 2022, tornou-se o epicentro de uma complexa batalha jurídica e familiar. Recentemente, Juliana Mitre, filha do empresário, tornou-se alvo de uma investigação policial após uma denúncia de invasão ao apartamento de sua mãe, Maria Elisa Mitre. O caso, que envolve a suposta retirada de joias e itens de luxo, como bolsas da marca Chanel, foi registrado por uma funcionária enquanto a proprietária estava no exterior.
Versões conflitantes sobre a invasão
A acusação aponta que Juliana teria arrombado a entrada do imóvel com o auxílio de um terceiro. Em contrapartida, a defesa da empresária nega categoricamente qualquer ato de violência ou arrombamento. Segundo os advogados, a ida ao apartamento teve como objetivo reaver itens pessoais que teriam sido removidos anteriormente da residência de veraneio da família, localizada no Guarujá. A equipe jurídica alega, inclusive, possuir registros de uma ligação na qual o caseiro da casa de praia relata que Maria Elisa teria retirado pertences e obras de arte do local.
Conflitos patrimoniais e societários
O imbróglio familiar vai muito além do episódio recente. Desde a morte de Jorge Mitre, a Justiça de São Paulo tem sido palco de sucessivas disputas. Em fevereiro de 2026, uma decisão judicial determinou o afastamento de Juliana de duas empresas do Grupo Hosp, atendendo a um pedido da mãe, que alegou condutas graves da herdeira na gestão dos negócios.
Por outro lado, a defesa de Juliana contra-ataca com acusações de desvio de patrimônio. Os representantes da empresária afirmam que mais de R$ 50 milhões teriam sido movimentados irregularmente em benefício de Maria Elisa e de Fabrício Mitre, irmão de Juliana e CEO da Mitre Realty. Essas alegações já levaram à destituição de Maria Elisa do posto de inventariante.
Medidas cautelares e esferas criminais
O clima de tensão entre os familiares escalou para medidas restritivas. Fabrício Mitre obteve uma decisão judicial que obriga Juliana a manter uma distância mínima de 200 metros dele, citando recorrentes conflitos. Além disso, a Polícia Civil investigou suspeitas de desvios financeiros envolvendo Juliana, incluindo movimentações bancárias que totalizariam cerca de R$ 1,99 milhão, além de acusações de extorsão contra o irmão — casos que, segundo a defesa, foram arquivados.
Em nota oficial sobre o caso, a defesa de Juliana Mitre declarou:
“A defesa de Juliana Mitre Felicio repudia veementemente as informações narradas, que não correspondem à realidade dos fatos e apresentam uma versão distorcida de um episódio inserido em um grave e prolongado litígio familiar, patrimonial e societário, iniciado após o falecimento de seu pai, Jorge Mitre.”
“Juliana esteve no edifício para visitar sua tia e, posteriormente, passou no apartamento de sua mãe, onde residiu por mais de 20 anos, após saber que objetos haviam sido retirados da casa de praia da família. Sem qualquer arrombamento, ameaça ou violência, retirou exclusivamente bens pessoais de sua propriedade. Toda a movimentação foi registrada pela própria Juliana e poderá ser comprovada perante as autoridades competentes.”
“A presença de um acompanhante decorreu do receio por sua segurança, especialmente em relação ao irmão Fabrício, contra quem já requereu medida protetiva. O ambiente familiar é marcado por episódios graves, incluindo a morte de um segurança atingido por disparo de arma de fogo dentro do apartamento de sua mãe e o recente esfaqueamento de seu irmão Júlio, na véspera de uma audiência judicial envolvendo a família.”
“Juliana, médica e empresária com mais de 30 anos de trajetória profissional, passou a enfrentar acusações criminais em meio aos questionamentos judiciais que apresentou sobre a administração do patrimônio paterno. Essas disputas já resultaram no afastamento judicial de Maria Elisa da função de inventariante, diante de suspeitas de graves irregularidades patrimoniais envolvendo dezenas de milhões de reais. Há, ainda, investigação policial sobre possíveis desvios financeiros envolvendo o patrimônio familiar. Juliana também dispõe de elementos relativos a possíveis ilícitos envolvendo Fabrício e a companhia aberta da qual é CEO. Denúncias já foram apresentadas à CVM, e outros fatos serão, em breve, submetidos às autoridades competentes.”
“A defesa considera inadmissível que disputas familiares sejam utilizadas para sustentar acusações criminais infundadas e divulgar narrativas descontextualizadas contra Juliana, que jamais foi condenada criminalmente. Todas as medidas judiciais cabíveis serão adotadas para proteger seus direitos, sua integridade e sua reputação”.
Procurado pela reportagem, Fabrício Mitre optou por não emitir comentários sobre as acusações ou o andamento do processo.







