A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) precisou passar por uma profunda reformulação após o resultado desfavorável no primeiro turno da disputa presidencial, acionando uma série de mudanças para tentar reverter o cenário na reta decisiva do pleito.
A reviravolta na articulação e comunicação
Na primeira etapa da eleição, o senador Flávio Bolsonaro (PL) terminou na liderança com 47,03% dos votos, enquanto o atual mandatário registrou 45,16%, configurando uma diferença de aproximadamente 2,2 milhões de eleitores. Diante desse revés, o petista admitiu em bastidores que a organização enfrentou sérios problemas. O petista chegou a reclamar, em um trecho vazado de uma reunião, que sua campanha de reeleição em 2026 foi a mais desorganizada que participou desde 1989.
Para reorganizar a estrutura, nomes de destaque do Nordeste assumiram posições estratégicas. O governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), integrou o time de comunicação, o senador Camilo Santana (PT-CE) assumiu a coordenação política e o ex-ministro Rui Costa (PT-BA) ficou encarregado da articulação da agenda.
Estratégia digital e o “Exército do Lula”
No ambiente online, a reação foi imediata com a adoção de vídeos no formato “selfie” para aproximar o candidato do eleitorado. Paralelamente, o deputado federal André Janones (Rede-MG) liderou a criação de um canal no WhatsApp voltado à mobilização de apoiadores. O grupo, batizado de “Exército do Lula”, acumulou rapidamente 10 milhões de seguidores e impulsionou conteúdos e hashtags da campanha.
Ataques, debates e a polêmica dos sigilos
Diferente da primeira fase, quando evitou confrontos diretos, Lula participou de debates televisivos nas emissoras Bandeirantes e Globo, onde adotou tom incisivo contra o adversário. A propaganda petista focou em associar o oponente a cortes de verbas sociais e a um suposto “tesouraço” em programas como Bolsa Família, Farmácia Popular e Pé-de-Meia. A reta final também foi marcada pela intensa discussão em torno da quebra de sigilos financeiros e fiscais entre os candidatos.
Pacote de medidas populares e atos públicos
A virada foi impulsionada ainda por manifestações de rua em várias capitais e pelo lançamento de um conjunto de ações econômicas e sociais. A articulação no Congresso garantiu a aprovação do fim da escala de trabalho 6×1, o envio de uma PEC propondo tarifa zero no transporte aos fins de semana e feriados, além de facilidades para o Microempreendedor Individual (MEI) e a ampliação do Pé-de-Meia para estudantes do ensino médio e universitários.








