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Pediatras alertam para riscos de brinquedos com inteligência artificial

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Pediatras alertam para riscos de brinquedos com inteligência artificial

Foto: Divulgação

País – Brinquedos que conversam com crianças, memorizam suas preferências e respondem com palavras de carinho e empatia já fazem parte da realidade de famílias no Brasil e no mundo. Com o avanço da inteligência artificial (IA) aplicada a produtos infantis, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) divulgou um alerta sobre os cuidados necessários na escolha desses dispositivos e no acompanhamento de seus efeitos sobre crianças e adolescentes.

Em nota, a entidade destacou que a iniciativa busca reduzir os riscos de exposição indevida. Segundo o documento, sistemas de inteligência artificial generativa podem reconhecer voz e imagem, armazenar informações, adaptar respostas e manter conversas que não se limitam a conteúdos previamente programados.

A SBP considera o tema urgente e cita como exemplo o anúncio do Muse Charm, dispositivo portátil da Meta comparado pela imprensa a um Tamagotchi com inteligência artificial. Embora não seja voltado ao público infantil, o produto ilustra como agentes de IA podem assumir formas físicas, portáteis e personalizadas.

Efeitos emocionais e privacidade

O alerta ressalta que, embora utilizem uma linguagem afetiva ou empática, os sistemas de inteligência artificial não são pessoas. A entidade também chama a atenção para os recursos que podem estar presentes em brinquedos conectados, como microfones, câmeras e acesso à internet, além da coleta de dados e de mecanismos de personalização e engajamento.

Segundo a SBP, uma revisão publicada na revista científica Pediatrics destaca o risco de crianças desenvolverem percepções equivocadas sobre a IA, interpretando-a como amiga ou cuidadora.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), por sua vez, alertou para os chamados AI companions, ou companheiros de inteligência artificial. São sistemas e produtos que estimulam conversas e simulam relacionamentos com crianças e adolescentes.

“Apesar da aparência inofensiva, são sistemas de IA que podem obter informações e causar prejuízos à saúde e dependência ao produto”, destacou a entidade.

Para a SBP, a avaliação desses brinquedos deve ir além das funcionalidades anunciadas. É necessário compreender como funcionam, quais informações coletam, para que os dados são utilizados e se existem mecanismos adequados de proteção à infância e à adolescência.

Recomendações para as famílias

A entidade recomenda cautela na compra de brinquedos com inteligência artificial, especialmente aqueles que utilizam IA generativa, mantêm conversas abertas, coletam dados pessoais ou simulam amizade, cuidado e apoio emocional.

“Quando essas funcionalidades não trazem benefício claro, ou quando o funcionamento e os mecanismos de proteção carecem de transparência, a orientação é priorizar produtos e brinquedos sem esses recursos”, alerta a SBP.

Outra preocupação dos pediatras é a falta de conhecimento suficiente sobre os efeitos dessas interações na saúde mental e no comportamento a longo prazo.

“A incerteza científica não significa ausência de riscos e reforça a necessidade de proteção adequada à infância e à adolescência”, avalia a entidade.

O documento apresenta nove perguntas que podem ajudar pais e responsáveis a avaliar esses produtos antes da compra:

  1. O que a tecnologia acrescenta à brincadeira?
  2. A criança participa ativamente ou o brinquedo faz quase tudo por ela?
  3. Como o produto funciona? Utiliza IA generativa? Possui câmera, microfone ou conexão com a internet?
  4. A indicação etária e as orientações sobre supervisão dos responsáveis estão claras?
  5. O que acontece com os dados da criança ou do adolescente?
  6. O brinquedo expõe a criança a mecanismos de perfilamento, publicidade, compras ou assinaturas?
  7. A interação simula amizade, afeto, cuidado ou apoio emocional?
  8. A criança consegue compreender, de acordo com a idade, que está interagindo com uma inteligência artificial, e não com uma pessoa?
  9. Qual espaço essa experiência ocupa na rotina, considerando o sono, a atividade física, a brincadeira livre, a leitura, o contato com a natureza e a convivência familiar?

A SBP também recomenda verificar se as informações essenciais estão disponíveis de forma clara. Entre os pontos que devem ser esclarecidos estão a presença de câmeras e microfones, a necessidade de conexão com a internet, os dados registrados, a finalidade da coleta, o local de armazenamento, o compartilhamento com terceiros e a possibilidade de exclusão das informações.

“Se não estiverem acessíveis, a recomendação é não comprar e optar por outro produto ou brinquedo”, orienta a entidade.

Responsabilidade dos fabricantes

O documento também destaca a responsabilidade dos fornecedores e das empresas de informar pais, responsáveis, crianças e adolescentes sobre os riscos dos produtos e as medidas de segurança adotadas, incluindo aquelas relacionadas à privacidade e à proteção de dados.

Em casos de coleta de informações sem esclarecimentos adequados, exposição a conteúdo impróprio, falhas de segurança ou dificuldades para exercer direitos relacionados aos dados pessoais, a SBP orienta que as famílias podem:

  • Solicitar ao fornecedor informações sobre os dados coletados, além de correção ou eliminação das informações, quando aplicável.
  • Exercer o direito de arrependimento em até sete dias após o recebimento do produto, nos casos de compras realizadas fora de estabelecimentos comerciais, conforme previsto na legislação.
  • Utilizar os canais de atendimento e de notificação disponibilizados pelo fornecedor.
  • Registrar reclamações no Procon, na plataforma Consumidor.gov.br ou junto à Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), conforme o caso.

Com informações da Agência Brasil.

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