O Canal do Panamá registrou a maior marca de trânsito de carga de sua história, impulsionado diretamente pelo bloqueio no Estreito de Ormuz, localizado no Oriente Médio. O recorde foi alcançado mesmo diante das dificuldades operacionais provocadas pela estiagem associada ao fenômeno El Niño.
Balanço fiscal e impacto global
Entre os dias 1º de outubro de 2025 e 30 de setembro de 2026, período correspondente ao último ano fiscal, a passagem interoceânica movimentou 521 milhões de toneladas de mercadorias em aproximadamente 14.000 embarcações. Os números foram divulgados oficialmente na última terça-feira (20) pela Autoridade do Canal do Panamá (ACP). Atualmente, a rota é responsável por escoar cerca de 5% de todo o comércio marítimo do planeta, tendo Estados Unidos e China como seus principais usuários.
Crise energética e o Estreito de Ormuz
Antes do início do conflito no Oriente Médio, deflagrado em fevereiro, 20% de todo o petróleo e gás natural liquefeito do mundo passavam pela rota do Estreito de Ormuz. Com o fechamento daquela passagem estratégica, armadores buscaram alternativas seguras para o escoamento de combustíveis.
A administradora do canal, Ilya Espino de Marotta, explicou que a via interoceânica elevou temporariamente o fluxo diário de 36 para 41 embarcações. A medida compensou a posterior queda de tráfego que o canal precisou adotar devido à falta de chuvas na região, visto que o funcionamento da travessia depende da água doce de dois lagos artificiais afetados pela seca.
Conexão comercial e marca anterior
Com 80 quilômetros de extensão, a infraestrutura serve primordialmente como ponte logística entre nações asiáticas — como China, Japão e Coreia do Sul — e a costa leste norte-americana. O volume registrado no último ciclo superou a marca anterior, estabelecida no ano fiscal de 2022, quando a via contabilizou 518 milhões de toneladas transportadas.








