O governo dos Estados Unidos anunciou o bloqueio de uma legislação recém-aprovada pelo Congresso que previa um conjunto rigoroso de sanções e tarifas contra o setor energético da Rússia. A ordem executiva, assinada pelo presidente norte-americano, foi emitida a poucos dias de o texto entrar em vigor, anulando medidas que levavam o nome do falecido senador republicano Lindsey Graham.
Reação imediata de Moscou
A medida foi recebida com entusiasmo pelas autoridades russas neste sábado (17). Kirill Dmitriev, emissário de Vladimir Putin e participante recente de negociações diretas com representantes dos Estados Unidos como Steve Witkoff e Jared Kushner, manifestou-se publicamente sobre o recuo da Casa Blanca.
“A suspensão da Lei Graham pela administração Trump é um momento importante e verdadeiramente histórico”, afirmou Dmitriev em suas redes sociais.
O enviado de Moscou também pontuou que a aplicação da norma teria provocado graves prejuízos financeiros globais. A decisão ocorre após um entendimento recente entre Washington e o Kremlin para o fornecimento de diesel russo aos mercados internacionais, estratégia adotada em meio à pressão popular sobre os preços dos combustíveis e às vésperas das eleições de meio de mandato de 3 de novembro.
Críticas severas de Volodymyr Zelensky
Por outro lado, o governo da Ucrânia reprovou veementemente a atitude da gestão norte-americana, interpretando-a como um incentivo direto às ações militares russas. O presidente ucraniano utilizou as redes sociais para expressar seu descontentamento com o cancelamento das restrições.
“Nos Estados Unidos, tomou-se a lamentável decisão de descartar completamente a Lei Lindsey Graham, que deveria exercer uma pressão eficaz sobre a Rússia para acabar com esta guerra. Essa lei poderia ter ajudado enormemente, e ainda pode!”, escreveu Zelensky nas redes sociais.
O líder ucraniano acrescentou ainda: “O fato de os Estados Unidos abrirem mão das sanções, de a pressão sobre o agressor ser reduzida e de Putin ser recompensado financeiramente só serve para incentivá-lo a continuar atacando”.
A lei anulada permitia a taxação de até 100% sobre importadores importantes de petróleo e gás de Moscou, como Índia e China, além de mirar autoridades de alto escalão e a frota de navios utilizada para driblar embargos ocidentais.
Aproximação com a Europa e novos desafios
Diante do distanciamento em relação a Washington, o governo de Kiev busca fortalecer laços com lideranças europeias. Na sexta-feira (16), Volodymyr Zelensky esteve em Bruxelas em busca de suporte financeiro adicional para sustentar o esforço de defesa nos próximos anos.
Diante do pedido de recursos, o presidente francês em fim de mandato, Emmanuel Macron, ponderou: “A Ucrânia fez o seu pedido. É muito cedo para estabelecer um valor”, reiterando o compromisso de que os parceiros europeus continuarão apoiando o país.
Além das divergências diplomáticas com a Casa Branca, a semana foi marcada por desafios operacionais para Kiev, incluindo restrições no uso de tecnologias de comunicação via satélite essenciais para a defesa contra os ataques russos.








