Uma moradora de São Bernardo do Campo, identificada como Joana, abriu o jogo sobre sua dependência em cassinos online e revelou ter acumulado um prejuízo de R$ 1,7 milhão ao longo de seu período de jogatina.
O início da dependência nas plataformas digitais
O primeiro contato com as apostas esportivas ocorreu em meados de 2022, introduzido por um conhecido enquanto ela enfrentava momentos de estresse profissional e conjugal. O que começou com pequenas quantias logo evoluiu para apostas arriscadas em plataformas virtuais de azar.
“Minha história com as bets começou em meados de 2022. Um amigo me apresentou às apostas esportivas pelo celular. Eu estava sob pressão no trabalho e enfrentava problemas em casa. Comecei apostando R$ 100, R$ 200, R$ 300. Naquele momento, enxergava o jogo como uma possibilidade de ganhar dinheiro sem precisar continuar trabalhando tanto”, explicou.
Perda de controle e desvios financeiros
Conforme o envolvimento se aprofundava, a busca por ganhos maiores levou a apostas elevadas, incluindo o popular jogo do aviãozinho. A euforia das pequenas vitórias impulsionava novos ciclos de apostas em vez de resgates para quitar obrigações financeiras.
“Uma vez, apostei R$ 2.000 e vi o saldo chegar a R$ 360 mil. Em algumas ocasiões, saquei o dinheiro para pagar dívidas. Em outras, deixei o saldo na plataforma porque queria continuar jogando. A possibilidade de ganhar mais parecia sempre maior do que a necessidade de parar”, confessou a mulher. “Foi o que aconteceu quando ganhei R$ 800 mil. Não saquei esse dinheiro para pagar as contas. Continuei apostando. Queria ganhar mais”, acrescentou.
A busca incessante por adrenalina transformou o hábito em um segredo destrutivo, exigindo mentiras frequentes aos familiares e o uso indevido de valores corporativos.
“Passei a esconder o que fazia. Dizia que precisava de dinheiro para comprar um carro ou trocar os pneus. Inventava que meu filho estava doente ou fingia que estava trabalhando. Na verdade, ficava horas no celular, muitas vezes na escada do prédio de casa, em São Bernardo do Campo (SP), apostando escondida”, relatou a mulher.
Consequências familiares e profissionais
O impacto do vício resultou na perda do emprego que mantinha há uma década, no fim do relacionamento conjugal e em um passivo bancário expressivo que hoje compromete sua estabilidade.
“Ainda devo R$ 900 mil a bancos, entre empréstimos e cheque especial. Na minha realidade atual, é uma dívida impagável. Hoje tento reconstruir a relação com meu filho e aprendi a reconhecer os sinais que podem me levar de volta ao jogo. Mas a luta é diária”, desabafou.
O processo de recuperação e tratamento
Após internação em uma clínica especializada e o suporte rigoroso da família, a brasileira iniciou sua jornada de reabilitação com apoio psiquiátrico, psicológico e participação em grupos de apoio.
“Acredito que muitas mulheres têm dificuldade em procurar ajuda por vergonha ou por dependerem financeiramente de outras pessoas. Eu mesma já me afastei das reuniões por dois meses depois de uma recaída. Voltei porque meu padrinho no grupo me incentivou a retomar o tratamento”, afirmou.
Atualmente, adotando ferramentas de bloqueio digital e restrições financeiras administradas por familiares, ela busca reescrever sua trajetória focando no presente.
“Ainda tenho uma dívida de R$ 900 mil e preciso lidar com as consequências das minhas escolhas. Não posso mudar o que aconteceu, mas posso tentar não repetir o comportamento que me trouxe até aqui. Hoje, eu me defino como uma jogadora compulsiva em recuperação. Prometi pelo meu filho que nunca mais apostaria. Aprendi a pensar na abstinência um dia de cada vez: só por hoje, não farei a primeira aposta”, concluiu.








