A renomada apresentadora Ana Maria Braga surpreendeu o público ao abrir sua intimidade em uma recente entrevista. Entre os temas abordados, a veterana da televisão brasileira relembrou momentos delicados de seu passado, comentou sobre relacionamentos na maturidade e deu sua opinião sobre pautas sociais importantes.
Passado e Direitos Reprodutivos
A contratada da Globo revelou ter passado por um procedimento de interrupção da gravidez durante a juventude. “Nunca falei disso, mas, sim, fiz [um aborto] e foi péssimo. Não recomendo. Embora não fosse muito nova, naquele momento da vida ainda nem conseguia me sustentar direito e achava que não tinha outro caminho. Não guardo culpa”, afirmou ela.
Questionada sobre o assunto no âmbito legal, a famosa defendeu a autonomia feminina. “A decisão deve sempre ser da mulher. Ela é quem sabe do próprio corpo. Sou defensora da liberdade individual. É a mulher, com a consciência dela, que deve decidir o que fazer com o ser que está gerando”, argumentou.
Intimidade e Relações Pessoais
Outro ponto que chamou a atenção foi a franqueza ao falar sobre a vida sexual após os 70 anos e as barreiras que envolvem o envelhecimento. “No meu caso, tenho uma pessoa que me deseja, que gosta de mim, que me toca. E eu me cuido para que ele continue não só me admirando, mas me olhando. Faço reposição hormonal desde antes dos 40, quando tirei o útero e os ovários, após o segundo filho, o que também ajuda a manter a libido”, explicou.
A artista também admitiu que já pensou em se envolver amorosamente com pessoas do mesmo sexo em determinado período da vida. “Confesso que até fiquei tentada. Uma época, estive tão desacreditada dos homens que parei para pensar: havia tantas mulheres casando entre si que devia ser legal”, declarou. Contudo, ponderou sobre a dinâmica dessas relações: “Mulher é um bicho chato, complicado, e uma entende a outra, inclusive sexualmente. Só não achei ninguém que eu batesse o olho e falasse: ‘Bora’. Não levo jeito”.
Superação de Câncer e Planos Futuros
Sobrevivente de diferentes tipos de câncer ao longo dos anos, incluindo tumores de pele, pulmão e na região anal, a estrela explicou o motivo de não transformar sua trajetória médica em livro. “Se uma pessoa sabe que está com câncer e quer conversar comigo, ouvir o que penso, falo com ela o tempo que for preciso. Não me atrapalha, não me machuca. Às vezes, percebo que consigo transmitir o que aquela pessoa não tem no horizonte: esperança. Mas o que passei não faz de mim arauto do câncer. Não vejo por que me tornar exemplo em livro. Só para ganhar uma grana e virar best-seller? Cada um tem sua vivência, é algo muito particular”, avaliou.
Por fim, a comunicadora afastou qualquer boato sobre deixar as telinhas tão cedo e garantiu que o trabalho continua sendo o motor de sua rotina. “Eu já sou até aposentada. Ganho do governo, tenho direito, né? Já trabalhei muito de carteira assinada. Mas parar mesmo, não quero, não. O que seria da minha vida se deixasse de fazer o que eu faço? Vou para onde? Adoro a fazenda, mas aí mato um porco, cuido de planta, leio três livros e faço mais o quê? Não sirvo para ficar em casa, enlouqueço todo mundo. Vivo de aplausos”, concluiu.








