Um relatório inédito de inteligência da Polícia Civil mapeou os deslocamentos e as chamadas telefônicas de um aparelho associado ao homem apontado como responsável por atirar na nuca de um oficial das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota). O atentado contra o tenente Ronickson Pimentel dos Santos ocorreu em 27 de junho, por volta das 11h30, em São Caetano do Sul, na Grande São Paulo.
Rastro telefônico antes do atentado
Enquanto o oficial seguia sua rotina na cidade, um celular ligado a Hércules da Costa Siqueira, conhecido como Golias e apontado como autor do disparo, registrou ligações nas proximidades do crime. A primeira conexão ocorreu às 10h19, por uma antena na Rua Alagoas. Às 10h43, outra chamada utilizou equipamento na Rua Santa Catarina. A terceira, às 11h01, passou por uma antena da Rua Amazonas. Os três endereços ficam no centro de São Caetano do Sul, onde Pimentel foi atacado na Avenida Goiás após sair de uma academia de CrossFit. O levantamento foi feito pela Unidade de Inteligência Policial do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), com base em dados de operadora. As antenas identificam a área aproximada, mas não a localização exata ou quem utilizava o aparelho.
Deslocamento para a zona leste e outras prisões
Depois da ação, o telefone voltou a emitir sinais. Às 11h51, conectou-se a uma antena em Mauá, no ABC paulista. Às 15h11, o registro ocorreu em Artur Alvim, na zona leste da capital. O documento aponta ainda uma ligação, às 2h50 do dia seguinte, entre números ligados a Golias e Carlos Roberto Ferreira, acusado de participar da logística e com prisão preventiva mantida em setembro. No celular de Marcos Vinicius Dias Machado, outro denunciado, peritos encontraram conversas apagadas do WhatsApp e uso do Telegram sem mensagens, além de uma ligação de sete minutos na madrugada posterior para um contato chamado Kleber. O Ministério Público de São Paulo denunciou seis homens pelo caso. Além de Carlos e Marcos, Luis Altino da Silva e Luiz Henrique de Oliveira Nascimento continuam presos preventivamente, enquanto Golias e Jeovane Junior da Silva, o Juninho, apontado como auxiliar de fuga, seguiam foragidos.
O atentado é atribuído por investigadores a integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC). O tenente Pimentel sobreviveu ao disparo na nuca, enfrentou uma parada cardíaca, passou por três cirurgias e permanece internado em uma Unidade de Tratamento Intensivo (UTI).








