Estudantes do Colégio Cívico-Militar Ético Veríssimo, situado em Cambé, na região norte do Paraná, descobriram uma câmera escondida no banheiro feminino da instituição na última segunda-feira (19/10). A denúncia mobilizou a comunidade escolar e resultou em medidas drásticas por parte das autoridades estaduais de ensino.
Investigação e denúncia das alunas O caso veio à tona quando uma das alunas notou a presença de um aparelho afixado na parede do toalete. O equipamento chamou atenção por emitir uma luz vermelha e estar camuflado atrás de uma proteção plástica.
Durante a apuração inicial, as estudantes revelaram que já tinham conhecimento da existência do dispositivo no local há cerca de três anos. Contudo, na época, a gestão escolar justificou que o objeto funcionava como um sensor de fumaça para coibir o tabagismo entre os jovens.
Posicionamento da Secretaria de Educação O Núcleo Regional de Educação (NRE) de Londrina confirmou a presença do equipamento e informou que os aparelhos foram removidos imediatamente após a denúncia das alunas.
“A escola informou que os equipamentos já foram retirados e que não há imagens armazenadas relacionadas a eles. Uma equipe do NRE realizará visita in loco para verificar a situação e orientar os próximos encaminhamentos”, informou.
Diante da gravidade da situação, a Secretaria de Estado da Educação do Paraná (SEED-PR) exigiu o afastamento imediato da gestão do colégio na quarta-feira (21/10). A decisão foi reforçada publicamente pelo secretário de Educação, Roni Miranda.
“Já determinei o afastamento da direção pelo fato das câmeras. É uma questão óbvia de não colocar câmera dentro do banheiro. E, por isso, também publiquei uma resolução proibindo, em qualquer ambiente escolar, seja em banheiros ou vestiários, a proibição de colocação de câmeras”, afirmou Roni nas redes sociais.
Justificativa da instituição de ensino Em nota oficial, a administração do colégio defendeu que o sistema de monitoramento registrava apenas as entradas dos recintos e que o objetivo era garantir a segurança. Leia a íntegra:
“Prezados pais e responsáveis, Circulou em alguns grupos uma imagem do sistema de monitoramento do colégio. Esclarecemos que as câmeras mencionadas estavam direcionadas às portas de entrada dos banheiros masculino e feminino, sem captar os espaços destinados às necessidades fisiológicas dos estudantes. Sua finalidade era acompanhar os acessos e contribuir para a segurança escolar. Conforme as informações levantadas pela direção até o momento, um estudante entrou sem autorização na sala dos monitores militares e acessou o computador utilizado pela equipe, registrando a imagem posteriormente compartilhada. As circunstâncias desse acesso e da divulgação serão apuradas, preservando-se a identidade dos envolvidos. Também foram registrados, nesta data, atos de vandalismo, com a retirada à força das câmeras dos acessos aos banheiros. O colégio adotará as medidas administrativas cabíveis e os encaminhamentos necessários aos órgãos competentes, assegurando a apuração dos fatos e a escuta dos envolvidos. Reafirmamos nosso compromisso com a segurança, a dignidade e a privacidade dos estudantes. O monitoramento de salas de aula, corredores e acessos integra as medidas de proteção do ambiente escolar e deve respeitar esses direitos. Pedimos às famílias que busquem esclarecimentos diretamente com a direção e evitem compartilhar imagens de segurança ou informações sem verificar seu contexto. Contamos com a parceria de todos na orientação dos estudantes sobre o respeito aos espaços de acesso restrito, aos equipamentos e ao patrimônio público“.
O episódio segue sob rigorosa apuração das instâncias educacionais do estado, enquanto novas regras proíbem definitivamente qualquer tipo de monitoramento por vídeo em áreas íntimas das escolas paranaenses.








