O sumiço de uma mulher de 56 anos em Irajá, na Zona Norte do Rio de Janeiro, tomou um rumo inesperado quando um homem apareceu dirigindo o automóvel da vítima durante uma transmissão de televisão ao vivo.
Mudança de comportamento e estranhamento
Segundo os parentes, Rosângela Severiano da Silva Fonseca sumiu na sexta-feira (16), mas os sinais de alerta começaram dias antes. A frequência de contato diminuiu, os áudios pararam de ser enviados e as respostas passaram a ocorrer apenas por texto. O filho da vítima relatou que, após algum tempo, percebeu que “não era mais ela”.
O irmão da desaparecida, Rodney, corroborou a estranheza ao notar termos atípicos nas conversas virtuais. Na quinta-feira anterior, ela enviou a mensagem: “Na quinta-feira passada, ela ainda mandou: ‘E aí, na paz do senhor, como é que você tá?’. Ela nunca falou isso aí, daí eu já achei estranho”. A família enfatiza que ela jamais negociaria patrimônios como casa, carro e moto de forma repentina. “A gente não quer bem, não quer dinheiro, não quer nada. A gente quer que apareça ela. Uma semana é muita coisa”, desabafou Rodney.
Descoberta macabra na residência
A desconfiança se aprofundou quando um sobrinho pediu emprestada a quantia de R$ 200. Ao alegar falta de recursos, a mulher afirmou que solicitaria a transferência a um amigo, culminando no envio do montante por um indivíduo chamado Arthur, que posteriormente prestou esclarecimentos à Polícia Civil.
Ao averiguarem o imóvel, os parentes depararam-se apenas com a estrutura vazia, enquanto pertences íntimos e fotografias do neto foram descartados em sacos de lixo na calçada. O telefone celular, a motocicleta e o automóvel também haviam sumido do local.
A versão do comprador e a investigação
Durante a cobertura jornalística, João Vitor, proprietário de um estabelecimento na comunidade do Para-Pedro, surgiu guiando o veículo da desaparecida. O homem declarou ter adquirido a residência por R$ 150 mil — sendo R$ 130 mil pagos à vista e R$ 20 mil parcelados — além de ter comprado o carro por R$ 13 mil e alguns eletrodomésticos.
Para viabilizar a transação, o condutor admitiu ter recorrido a um agiota. A mãe dele, Luciene, expressou forte desaprovação ao negócio e temor pelo empréstimo contraído pelo filho. A ocorrência foi formalizada na 27ª DP em Vicente de Carvalho, e a Polícia Civil segue apurando os fatos para esclarecer o paradeiro de Rosângela.








