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Clínica investigada no RJ disse para pacientes com dor “focarem no biquíni”

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Clínica investigada no RJ disse para pacientes com dor "focarem no biquíni"
Mirelle Pinheiro

Clínica investigada no RJ disse para pacientes com dor “focarem no biquíni”.

Denúncias apontam que profissionais não habilitados atendiam ilegalmente no local. Nesta quinta (21/10), a PCERJ deflagrou operação

Letícia Guedes
22/10/2026 11:24
Material cedido ao Metrópoles

A coluna teve acesso a prints de mensagens trocadas em um grupo de WhatsApp entre pacientes e representantes da clínica de estética de Nova Iguaçu investigada pela Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro (PCERJ) por supostamente oferecer procedimentos invasivos de forma irregular.

Nas conversas, pacientes relataram sentir fortes dores após os procedimentos. Em resposta a uma das mensagens, a clínica orientou: “Foca no biquíni”.

O grupo reunia clientes da clínica. Enquanto algumas comemoravam as promoções e afirmavam não se importar com a dor, outras relatavam intenso sofrimento após os procedimentos.

“Fiquei com muitos roxos. Hoje, a drenagem doeu muito também, mas sei que o resultado vai ser positivo. Mas nunca mais faço um negócio desse. É uma mini lipo, só que com anestesia local… Sem noção para a dor”, escreveu uma paciente.

Outra denunciante afirmou ter desmaiado três vezes durante um procedimento estético. Segundo o relato, ela foi submetida a uma técnica anunciada como “hidrolifting”, que teria envolvido a introdução de uma cânula, a aspiração de gordura abdominal e a posterior aplicação da gordura nos glúteos.

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da Coluna Mirelle Pinheiro

Diante das queixas, a clínica respondeu que as clientes deveriam ter senso e afirmou que “ninguém morreu ou vai morrer por causa disso”.

Em outra mensagem, uma mulher relatou que o procedimento ao qual foi submetida doeu muito mais do que o parto da própria filha.

Em resposta às queixas, a clínica afirmou que cada corpo reage de uma forma e que as pacientes deveriam entender que algumas pessoas são mais sensíveis à dor do que outras.

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Uma cliente afirmou que nunca mais faria um novo procedimento
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Uma cliente afirmou que nunca mais faria um novo procedimento

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Em outra mensagem, uma mulher relatou que o procedimento ao qual foi submetida doeu muito mais do que o parto da própria filha
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Em outra mensagem, uma mulher relatou que o procedimento ao qual foi submetida doeu muito mais do que o parto da própria filha

Material cedido ao Metrópoles

A PCERJ investiga o caso
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A PCERJ investiga o caso

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Uma operação foi deflagrada nesta quinta (22/10)
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Uma operação foi deflagrada nesta quinta (22/10)

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A clínica oferecia diversos procedimentos
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A clínica oferecia diversos procedimentos

Material cedido ao Metrópoles

Marketing e grupos de WhatsApp

A investigação teve início em 5 de outubro deste ano, após policiais civis comparecerem ao estabelecimento para apurar uma denúncia de irregularidades. Na ocasião, foram apreendidas 16 ampolas de midazolam, medicamento controlado utilizado para sedação, cuja origem ainda está sendo investigada.

Os policiais identificaram ainda publicações em redes sociais e mensagens em um grupo de WhatsApp da clínica, utilizado para divulgar procedimentos e promoções, nas quais clientes relatam dores intensas durante os atendimentos.

Os investigadores também apuram a utilização indevida dos dados de um profissional apresentado como responsável técnico da clínica.

Em depoimento, ele negou ter assumido a função, recebido pagamentos ou autorizado a utilização de um carimbo com seu nome encontrado no estabelecimento.

A Polícia Civil deflagrou uma operação nesta quinta (22/10) para cumprir mandados de busca e apreensão. A corporação investiga possíveis crimes de exercício ilegal da medicina, lesão corporal, exposição da vida ou da saúde de terceiros a perigo, falsidade documental e crimes contra as relações de consumo.

As investigações continuam para esclarecer a natureza dos procedimentos realizados, identificar possíveis outras vítimas e apurar a responsabilidade dos envolvidos.

“A principal preocupação da Polícia Civil é o risco à saúde das pacientes, já que procedimentos invasivos, especialmente quando associados à utilização de sedativos e realizados sem as condições técnicas necessárias, podem provocar complicações graves, inclusive fatais”, disse a corporação em nota.

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