O presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) protocolou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e no Supremo Tribunal Federal (STF) uma petição exigindo a divulgação pública de dados bancários, fiscais e telefônicos próprios e de seus familiares, condicionando a medida a uma ação idêntica por parte de seu adversário, o senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL).
A origem do desafio Como o tema pode impactar a disputa presidencial
O petista mencionou o assunto inicialmente no debate da TV Band realizado no último domingo (18/10), desafiando o concorrente a expor os dados financeiros e de comunicação de ambos para que os eleitores saibam “quem é ladrão neste país”.
Na última terça-feira (20/10), a petição formalizada estipulou o prazo até esta quarta-feira (21/10) para a revelação dos registros referentes aos últimos oito anos, abrangendo os candidatos, a primeira-dama Rosângela Lula da Silva, cinco filhos e dois netos maiores de idade de Lula, além do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), mãe, esposa e três irmãos de Flávio Bolsonaro. O ministro André Mendonça, vice-presidente do TSE, assumiu a relatoria da ação.
Contexto da corrida eleitoral Panorama das pesquisas de intenção de voto
A investida ocorre em meio a números apertados nas urnas. Pesquisa Real Time Big Data divulgada em 20/10 aponta Flávio Bolsonaro com 52% dos votos válidos, contra 48% de Lula, configurando empate técnico na margem de erro de dois pontos percentuais. No cenário estimulado, o senador tem 48% e o atual presidente soma 45%. Já na modalidade espontânea, Flávio marca 47% frente a 44% do petista, enquanto 5% votariam em branco ou nulo e 4% não responderam. O levantamento anterior, de 1º de outubro, mostrava o candidato do PL com 46% e Lula com 45%.
Limitações jurídicas e políticas A avaliação de especialistas sobre a manobra
Apesar da estratégia adotada pela campanha governista para gerar constrangimento às vésperas do segundo turno — que inclui forte mobilização nas redes sociais e expectativa de nova cobrança no debate da TV Globo em 23/10 —, especialistas apontam obstáculos práticos.
Segundo o especialista em tribunais superiores e direito penal Fábio Souto, mesmo se houvesse aceitação por parte de Flávio Bolsonaro, seria “impossível” que a Justiça Eleitoral concluísse o trâmite até o próximo domingo (25/10), dia do segundo turno, devido à necessidade de acionar órgãos de controle para obter os dados sensíveis.
Apesar disso, Fábio Souto pontua: “De outro lado, penso que o desafio proposto pelo candidato Lula pode ter forte influência eleitoreira, notadamente se o candidato Flávio permanecer silencioso sobre o tema, já que pode dar a impressão ao eleitor de que ele não quer apresentar seus dados sigilosos, enquanto o outro candidato propôs a exposição”.
Para a analista política da BMJ Consultoria, Raquel Alves, a medida tem alcance restrito para alterar bruscamente o panorama da disputa, servindo sobretudo para engajar a base e dialogar com eleitores moderados.
“É importante, porque abrir, colocar os sigilos à disposição da Justiça Eleitoral e ficar aberto é um gesto que desarma o argumento de que ele [Lula] tem algo a esconder. Mas não vejo como uma bala de prata, um elemento transformador completamente do cenário para que fique favorável para ele”, declarou. A analista acrescentou: “A gente pode dizer que é mais um movimento do Lula na tentativa de virar votos e tentar conseguir essa vitória inédita na história do processo eleitoral”.








